terça-feira, 19 de agosto de 2008

Violinos, Cello, Rock... Pt. 04 - "Human Drama"


Human Drama...

...Eis uma banda a qual sempre tive muita vontade de escrever algo e no entanto sempre tive bastante medo de fazê-lo por não acreditar que consiga chegar a um centésimo do que eles representaram para a música em si - em minha opinião, uma das melhores bandas que já performaram nos últimos vinte anos. Embora John Indovina – cantor, idealizador e líder do grupo (muito provavelmente a banda deva ser categorizada antes de mais nada como um projeto e não como banda em si) jamais tenha caracterizado-os assim, o Human Drama possui notórias características no rock gótico e no dark wave, notadamente influenciados por grandes nomes como Joy Division, Lou Reed, e David Bowie entre inúmeros outros. Basicamente são conhecidos (e reconhecidos) pela sua mistura perfeitamente balanceada entre suas composições acústicas em sua grande maioria, tristes e atmosféricas, estética gótica carregada, principalmente em seus contrastes sonoros na temática tristeza – redenção (em sensações). Dotado de um senso melódico como pouquíssimas vezes visto anteriormente – e posteriormente, é legal mencionar; a banda precisa de menos de apenas uma audição para que cative a qualquer um com bom gosto musical, devido ao seu charme, suavidade e coesão das composições.

Iniciaram suas atividades em 1980 com o nome de “The Models” em Nova Orleans, tendo adotado o nome de Human Drama após a sua mudança para Los Angeles, em 1985, aonde viriam se tornar bastante conhecidos no underground de uma das cenas musicais mais produtivas da época; orbitando ao redor do clube “Scream”, por onde já passaram o Guns ‘N Roses e Jane’s Addiction por exemplo.

Em 1992, lançaram no mercado o álbum conhecido por “The World Inside”, sem duvida um dos melhores álbuns de sua carreira e, ouso dizer, da história da música. Este álbum ilustra de uma maneira realista todos os pensamentos de Indovina, sem nenhum disfarce. O que vemos nele é algo puro, e talvez isso explique a aura mística que este álbum apresenta; criações perfeitamente harmonizadas entre voz, instrumentos clássicos a uma banda de rock, bem como a adição de um toque levemente clássico através do uso de Violinos, Cellos e uma flauta transversal.

Sinto que neste momento a adição dos elementos e instrumentação clássica, elevou a banda à um novo status, mudando radicalmente a sua forma e essência; tanto em termos de existência quanto performance. Ganharam um alcance emocional jamais visto anteriormente no rock, não da forma apresentada por eles. Isto fica claro em seu maravilhoso registro ao vivo lançado em 1998, “Human Drama Live - Fourteen Thousand Three Hundred Eighty Four Days Later”, principalmente em músicas como "I Bleed For You", "This Forgotten Love", "I Keep A Close Watch" ou então o cover “Heroin” de Lou Reed, que fecha a apresentação de maneira magistral. Algo no mínimo impressionante!

A Banda encontrou seu fim em 2005, quando finalmente, a qualidade de seus lançamentos - embora muito superior ao que ainda hoje é feito até hoje no mundo musical - corria o risco de se tornar redundante em termos criativos, optando assim Indovina, por seguir uma carreira solo em seu trabalho “Sound of the Blue Heart”.

Desta forma, Indovina evitou a triste morte criativa de uma banda; contribuindo assim, para a criação de um mito.


















Links:




















quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Hey Joêh!!!


(...)rapadura, beringela, aspargos e sifão!
op. citatum.

réplica:
Classificação morfossintática:
- [sexy] adjetivo masc singular .
- [sexy] adjetivo masc plural .
- [sexy] adjetivo fem singular .
- [sexy] adjetivo fem plural .
Sinônimos: Preciso de Salicilato de Metila

hmmmm não fala assim que me apaixono Joêh!! ; )

P.S ->
Vinho SEM cigarros...?
hahaha!

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Justus Johann Friedrich Dotzauer – Métodos e Estudos.


Pessoal, a pedidos postarei aos poucos o material de estudos de Cello que tenho e utilizo em meus estudos.

Dotzauer.

Nascido na cidade de Haselrieth em 20 de Janeiro de 1783 na Alemanha, J. J. F. Dotzauer era filho de um tradicional ministro e músico de igreja. Multi-instrumentista, ele aprendeu vários instrumentos desde muito jovem incluindo o piano, passando pelo Cello, Violino, Clarineta e Corneta. Sua base teórica inicial foi basicamente desenvolvida em cima do antigo órgão de tubos da Igreja, hoje infelizmente quase em desuso.

Como era notória sua inclinação à carreira musical, seu pai enviou-o em 1799 para Krieg, em Meiningen, também Alemanha aonde estudou por dois anos e teve contato com suas primeiras aulas de Cello, através da corte de trompetistas Alemã, aonde, terminado este período, ele se encaixou na Orquestra de Leipzing entre os anos de 1805 e 1811.

De Leipzing, ele foi à Berlin, conhecendo finalmente Romberg, dando continuidade assim, à seus estudos avançados no instrumento, e em 1811, recebeu um convite para integrar a Orquestra da corte de Dresden como primeiro Cellista, aonde ele permaneceu até a idade de 67 anos, 10 anos antes de falecer, em 06 de Março de 1860.

Embora Dotzauer tenha escrito várias sinfonias, concertos, operas, trabalhos para orquestra de câmara e sonatas, a maioria de sua fama vem pela sua famosa obra de estudos para o Violoncelo em 4 volumes, conhecido por 113 exercícios e caprichos para Cello desacompanhado.

Livro 1 & 2 (Ex. 01 -62)

Livros 3 & 4 (Ex. 63 - 113)

Hehehe Divirtam-se pois estes, são exercícios para meses, meses e mais meses... Bem como madrugadas Insônes e altas irritações Cellisticas!! : )

P.S. - Não desaparecendo os sintomas, procurem SEMPRE um professor!!

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

"Três contos e uma verdade."


- Livre Adaptação de "A hora da magia", Chris Bachalo

“Oh, Lord... Won’t you buy me a Mercedez Benz?”

Quando Joplin – Janis e não Scott – Cantou estas palavras, com sua voz deliciosamente cheia de whiskey, ela tocou em algo dentro de nós.

Seja Moisés, despejando os dez mandamentos naquele bezerro dourado...

...ou Jesus, expulsando os agiotas daquele templo...

...ou o Mastercard, recusando aquela última compra...

O dinheiro não cresce em árvores.

O Dinheiro não compra felicidade.

O Dinheiro é a raiz de todo o mal. Mas nós não nos importamos.

Quando o fantasma de Marley aparece para nós – o de Dickens, não Bob – com suas correntes pesadas do débito para nos sufocar... Nós não nos importamos.

É tudo sobre aquele maldito vizinho, com seu carro novo, pisicina nova, cão novo.

Importa para nós se o acompanhamos?

- Sim, importa.

Seu nome é Charity. Meio irônico para alguém que só estende a mão se precisa expor uma veia. Ela ganhou a oportunidade de descobrir se ela odeia o mundo pelo que ela é...

...ou se o mundo a odeia pelo que ela é.

Quem duvida da fagulha de luz que nos permite pensar e respirar e amar e tocar...

...deve visitar um necrotério.

Lá, eles ficarão felizes em falar com você – Não existe mais ninguém com que possam conversar. Eles trarão um corpo de uma gaveta, e, se você tiver escolha na sua primeira vez, escolha um velho, um homem muito velho.

Nunca uma criança. Nunca.

Você vai ver imediatamente. Uma vez que o espírito saiu do corpo, não sobra nada além de um tecido pálido com cabelos e olhos tão vazios que parecem de vidro.

Se cada um deste mundo pudesse visitar um necrotério de vez em quando, todos poderiam fazer algumas perguntas...

Ah, e caso esteja se pergurtando. Eu não ligo muito para dinheiro, pois ele não pode comprar amor.

“Gostos e simples necessidades...
Me arrumaram uma esposa, bem, talvez duas ou três. É por isto que estou aqui em cima olhando na beirada desta torre. Eu encontrei cinco bruxos que me enganaram com seu poder. Black era só uma criança – ou pelo menos, assim achei. Gray era um sabichão apostador que não poderia ser comprado. Blue, eu achei que não machucaria nem uma mosca. Mas novamente; ele fez um verdadeiro show em cima de mim. Red era doce tanto quanto era quente. A srta. White era a líder deste notório grupo. É ela quem me guiou até o topo desta fatídica torre, e enquanto eu pulava ela disse: - “nós precisamos todos responder para a hora da Magia”

- já convivi demais com bruxos e magos, já quase cruzei a linha final por exatas três vezes, e já vi mais do que o bastante para saber o que realmente importa.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Haúl!! ("ou", por uma vida menos ordinária...?)


...saudaçõ
es indígenas agora?


Bom, era isto, ou então o que está entre aspas, o já manjado "por uma
vida menos ordinária".

Apesar de soar chavão visto que já foi título de livros, filme, montagem teatral etc. realmente gosto desta frase. Acho que ela tem algum sentido, alguma coisa que nos remete a pensar que de fato, no final das contas, todos estamos apenas trilhando um caminho para tentar sermos felizes a nossa própria maneira... Este "a nossa própri
a maneira"; novamente entre aspas, é porque o conceito de felicidade é um troço subjetivo para cacete...

Alguns tem sua felicidade debaixo de um chuveiro quente, cheio de vapor no banheiro. Outros, tem sua felicidade dentro da geladeira. E outros, a mantém dentro de um carro zero. Mas todos a buscam.


Enfim, divagando apenas... São 2:08 da madrugada, e estou rolando na cama de um lado para o outro, desde as 23:00... Acho que estou com uma espécie de insônia retrógrada, se é que isto existe; visto que eu dormi bem entre as 19:30 até as 23:00... Tenho tido destas nas últimas semanas, meus horários de sono não tem seguido nenhum parâmetro r
acional. Portanto, como lá fora teima em cair uma chuvinha gostosa e sinceramente está ainda mais aconchegante aqui debaixo das minhas cobertas, resolvo atacar de manuscrito novamente; jogado entre as tais cobertas, edredons e travesseiros. Amanhã eu posto isso - ou não... rs

Bom, estou tentando não pensar que estarei de pé as 05:40, pois tenho que buscar meu passaporte lá na Av. Faria Lima; e de lá, pegar o ônibus para o interior. Seria tranquilo "se" minha mala não estivesse com míseros 25kg, mais da metade dos quais livros que preciso deixar em casa, em Limeira.

Falando em passaporte, é engraçado como a nossa
vida algumas vezes, parece mudar repentinamente, e algumas certezas; vêm por agua abaixo como se não passassem de sonhos que alimentamos mas não chegamos a concretizar. Digo isto pois a viagem que eu estava me programando agora para fins de setembro, me parece cada vez mais distante, e talvez não venha a sair do papel neste momento. Por uma série de motivos existe uma grande chance de eu ter que postergá-la para no mínimo, alguns bons meses. A maré esta contra, o tempo se tornou um belo de um inimigo; tanto o tempo no sentido "climatológico" da coisa, bem como o "tempo-timing".

Explico. Quanto mais o tempo passa e quanto mais eu atraso as coisas, mais perto o inverno Europeu se aproxima, e seria uma péssima hora para se chegar lá com uma mão na frente e outra atrás. Roupas para inverno pesado costumam ser meio caras, e isto é diametralmente oposto à atual conjuntura econômica da minha carteira. Enfim, se eu postergar mais serão me
ses de espera, os quais sinceramente não vou aguentar ficar parado, no limbo, do jeito que estou... "Mas"... Não é tragédia, de maneira alguma...

Mencionando coisas interessantes do meu dia a dia;

Aparentemente entrou uma garota em minha vida. Isto é, nos últimos 15 dias, justamente por conta de projetos que coloquei em andamento à 1 ano e pouco atrás; meus escritos e minha paixão quanto ao Cello.

"Mas", não alimento; apesar de querer, e sequer tenho como saber se irei chegar a conhecê-la pessoalmente - Ela atualmente vive no eixo Itanhaém aonde mora, e Santos, aonde cursa Artes e é Cellista em uma orquestra. Enfim, são detalhes estes que não posso deixar de achar curioso, e observar com certo assombro e um leve sorriso no rosto.

Em outras ocasiões eu estaria apreensivo, inquieto, mas curiosamente este não é o caso. Não desta vez. Estou calmo apesar da ausência da nicotina, e de certo modo, feliz...

E Considero esta, uma das gratas surpresas que as vezes a vida; nosso dia a dia, nos proporciona. Bem, faz parte do "pacote", de estarmos aqui neste mundinho banal... As vezes, ficamos realmente surpresos! E as vezes, encontramos alguem que nos seja interessantíssimo para se passar horas a fio conversando, querendo saber de suas idéias, piadas e "jeitismos".

Não... Não estou apreensivo... Apesar da vontade de conversar por horas e horas a fio... Apesar da indefinição momentânea quanto a viagem... Estou em uma estranha, macia - e porque não? - aveludada e acochegante paz...


Motivo deste post? Provavelmente nenhum... Constatar talvez, que ainda existe a beleza da surpresa no mundo, como o abrir das janelas em uma manhã, e perceber o jeito que a luz refrata nas pequenas gotas de orvalho em uma flor...


Mais duas "leves" mp3's... Aliás, três - Tango, Cello... e "Juliet", não dá para definir o que é... Belo e vivo Cello...
"Ever" - Emilie Autumn
"Bailata" - Beata Södenberg
"Juliet" - Emilie Autumn

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Violinos, Cello, Rock... Pt. 03 - "ASP" / (...e um pouco de psiconeurose pela abstinência da nicotina)


Ta, beleza, não sei bem o que vou fazer nas próximas semanas para não começar a postar feito louco aqui, visto que meus nervos estão à flor da pele neste momento. Explico, são 6:30 da manhã, e pouco mais de 24 horas que não fumo um cigarro. Meus parabéns à mim mesmo, 1 dia sem fumar! ...em compensação, já estou tendo surtos de agressividade extrema, quero sinceramente esmurrar alguma coisa – talvez à começar pelo modem dessa bagaça aqui. Melhor seria um operador da Net, “mas”... Nenhum a vista por hora.

Então para acalmar os ânimos, continuo aqui meus posts à respeito de bandas e projetos meio que únicos que tenho encontrado no incrível mundo dos cruzamentos musicais e seus produtos. A bola da vez é uma banda alemã de Industrial e Neo Gótico conhecida por ASP.

Sinceramente não sei bem definir o que estes caras fazem, por um lado alguma coisa nesles remete à Ramnstein, In Extremo ou bandas similares em suas melhores incursões eletrônicas. Esta talvez seja a pegada “Eletro” da banda.

Por outro lado, eles incluem também elementos da música erudita em outras composições como o uso do Cello, Viola e Piano, dando uma sonoridade e um clima bem trabalhado às composições, tirando assim um pouco da questão “mecânica” característica em algumas bandas de Industrial ou Eletro, isto é, mais eletrônicas. Músicas como “Duett (Das Minnelied Der Incubi)”, “Schmetterflug” ou “Das Erwachen” mostram sua “pegada” mais gótica, em belíssimas passagens utilizando hora o Cello, hora a Viola. Já outras composições como “Coming Home” e “De Profundis” já mostram a banda montando um som bem calcados em elementos eletrônicos. Agora, se quer exatamente a definição perfeita do que é ASP, recomendo fortemente a música “Réquiem”, um petardo de pouco mais de 25 minutos em que a banda transita entre o eletro gótico, industrial, heavy metal, neoclássico, coros de igreja e folk, com uma desenvoltura impressionante!

Mas, um aviso. NÃO é recomendado aos que não tem uma mente mais aberta e não estejam dispostos a aceitar a transição repentina entre o eletrônico, e corais de igreja com direito a uma passagem pelo heavy-folk por exemplo.

Não é tarefa fácil definir o que estes caras fazem, mas como um exemplo; apesar das nítidas diferenças existentes entre eles e outra banda que resenhei aqui alguns posts atrás, “Chamber – L’Orchestre de Chambre Noir”, eles de alguma forma, podem ser corelacionados (apesar de não fazer a mínima idéia no que). Digo isto pois, tanto ASP quanto Chamber, mantém relações bastante próximas, tendo inclusive já gravado diversos trabalhos simultâneos, inclusive um registro ao vivo em 4 (!!!) Cd’s, em edição limitada em 1.000 cópias. Belíssimo trabalho por sinal.

Este, definitivamente é um trabalho para poucos, e sei que os fãs mais xiitas do tradicional heavy metal ou do crossover entre heavy metal, gótico e neoclássico, deverão torcer o nariz para tal banda. Mas no final das contas, tenho achado tudo isto muito divertido, pois isto de certo modo garante que tais bandas não ganhem a grande mídia, e por isto mesmo, continuem originais em seus trabalhos, não se tornando “bandas-empresa” cujas músicas se tornam meros produtos vendáveis, pasteurizados para atender a grande massa...

ASP - "Me"

Vídeoclip...










ASP - "Requiembryo" Álbum...


















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sábado, 2 de agosto de 2008

Estamos existenciais, mas vagabundos hoje não...?

Continuo existencial, mas novamente vagabundo e preguiçoso... Então, posto o capítulo final de um livro que curto muito, "Como me tornei um estúpido", de Martin Paige... A leveza, as nuances que ele conseguiu em cima das construções textuais e diálogos... Enfim...

12.

ERA UMA DESSAS MANHÃS às portas do outono em que a lua conseguia sobreviver ao dia. O sol não aparecia no céu: ele penetrava delicadamente todas as individualidades naturais e urbanas, transpirava em pétalas de flores, edificações antigas e rostos extenuados de passantes.

No holocausto fecundo do tempo que passa, floresciam para os olhos traumatizáveis os únicos verdadeiros edens, aqueles cuja arquitetura se constrói a partir de sensações.

Neste domingo de manhã, Antoine despertou às oito horas. Em meio às ondas entre mescladas que separam o sono a vigília, tinha-lhe parecido ouvir uma canção.

Espreguiçando-se, ele se ergueu. Após ter posto água para esquentar, tomou uma ducha. Uma vez completada a infusão do chá, permaneceu por um instante a olhar o líquido verde e fumegante diante da sua janela. Num galho, um passarinho parecia fazer pose para o álbum da memória de Antoine; o sol de verão exalava um flash permanente na atmosfera.

Sem beber uma gota do seu chá, ele pousou a xícara diante da janela e saiu do seu
conjugado.


Caminhou até o parque de Montreuil, imiscuindo-se entre os carros e os passantes. Andava depressa, livre de amarras, o cabelo em revolta ainda úmidos. A esta hora, o parque estava praticamente deserto: velhos passeavam, mulheres arejavam os filhos, uma pintora com um chapelão erguera seu cavalete sobre a grama.

Antoine caminhava a passos errantes, como perdido nesse lugar aprazível e calmo. Sentou-se num banco ao lado de um homem velho apoiado na sua bengala de cabo de prata. O velho estava com um chapéu de feltro cinza com uma fita de seda negra; virou ligeiramente a cabeça na direção de Antoine e depois retomou a sua posição de sentinela esgotada.

Antoine olhou na mesma direção e, durante um momento, não viu nada, mas, estreitando os olhos, observando atentamente, percebeu uma mulher jovem precisamente diante dele. Ela perscrutou Antoine, inclinou a cabeça, abaixou-se para examiná-lo como se ele fosse uma escultura e por fim lhe estendeu a mão. Por reflexo de cortesia, Antoine apertou-lhe a mão. Ele quis falar, mas a mulher lhe pôs um dedo sobre os lábios e fez sinal para que se levantasse e a seguisse. Eles afastaram-se do banco e do velho.

— Estou procurando os meus amigos — disse a moça olhando para Antoine, e depois em volta.

— Eles se parecem com quem?

— Com você, talvez. Como você tinha a aparência de ser alguém interessante sentado naquele banco, eu disse a mim mesma que você gostaria muito de ser um dos meus amigos. Você tem uma aparência de ser de boa qualidade. De uma qualidade superior.

— De qualidade superior... Você parece estar falando de um presunto.

— Não, não estou falando de presunto, eu não como carne.

— E você come os seus amigos?

— Eu não tenho amigos, você precisa prestar um pouco de atenção às minhas palavras. Então, como eu digo coisas verdadeiramente assombrosas, é seu papel perguntar-me por quê.

— O meu agente se esqueceu de me mandar a continuação do script. Então... Por quê?

— Por que o quê? — perguntou ela fazendo-se de assombrada de maneira muito convincente.

— Por que é que você não tem amigos?

— Eles mofaram. Eu não tinha reparado em que eles tinham prazo de validade. É preciso prestar atenção a isso. Os meus amigos começaram a ter traços de apodrecimento, manchas verdes muitíssimo repugnantes. O que eles diziam começava a verdadeiramente cheirar mal...

— Isso pode ser perigoso.

— Sim, eles teriam podido causar-me uma intoxicação.

— Você os pôs em quarentena?

— Não, não houve necessidade, eles se projetaram sozinhos em suas vidas enfermiças.

— Você é severa.

— Perdoe-me, porém esse não é o seu texto: você deveria ter dito: “Você é fantástica.”

— Surgem improvisos de última hora no próprio palco.

— Eu sou sempre a última a saber!

A moça parou subitamente e deu um tapa na testa. Ela encarou Antoine, parecendo arrasada, com os olhos arregalados.

— Esquecemos a cena de apresentação! Esquecemos a cena de apresentação! Temos de recomeçar desde o início. Vamos, vamos voltar ao banco.

— Você sabe — respondeu Antoine detendo-a —, a gente poderia fazer umas anotações para garantir a continuidade. É isso que se chama fazer montagem.

— Você tem razão. Caminhemos por alguns instantes sem dizer nada e apresentemos-nos. Ação.

Eles caminharam pelas pequenas alamedas do parque, sobre a relva, olhando as árvores, os pássaros. O tempo estava ameno, o ar tinha uma cor clara e quase cintilante. Nunca o mês de setembro tinha sido tão agradável; ele ignorava ingenuamente o outono que se aproximava, permanecia altivo, de pé, esbanjava as derradeiras forças do verão como se elas fossem infinitas.

— Oh — disse a moça espontaneamente —, eu me chamo Clémence.

— Muito prazer — respondeu Antoine com um tom jovial.

— E eu me chamo Antoine.

— Eu estou encantada em conhecê-lo — disse ela apertando-lhe a mão, e depois, após alguns minutos de silêncio, prosseguiu:

— Agora, Antoine, retomemos a partir do momento em que você dizia que eu sou Fantástica.

— Eu dizia que você é severa.

— Você é muitíssimo injusto. Você não sabe julgar?

— Eu tento, mas é difícil.

— A minha teoria é que se pode compreender e julgar. A gente julga justamente para se defender, porque quem tenta compreender a gente? Quem compreende os que tentam compreender?

— Lacenaire dizia que os únicos que estão capacitados para julgar são os condenados.

— Então, se é assim, nós somos os condenados — disse Clémence abrindo os braços. — Eu sempre fui condenada, desde pequena fui julgada com sentenças silenciosas. É bonito o que eu disse, não?

— Por exemplo?

- Por exemplo: tudo. A sociedade inteira é um julgamento contra mim. O trabalho, os
estudos, a música moderna, o dinheiro, a política, o esporte, a televisão, os manequins, os
jornais, os automóveis. Isso é um bom exemplo: os automóveis. E
u não posso andar de
bicicleta, caminhar onde queira, desfrutar da cidade: os automóveis condenam a minha
liberdade. E eles são fétidos, são perigosos...

— Estou de acordo. Os automóveis são uma calamidade.

Eles compraram algodão-doce. Bicando, arrancando volutas rosa, eles comeram rapidamente, açucarando os dedos e os lábios.

— Outra coisa — disse Clémence. — A meu ver, a grande divisão do mundo, bem, à parte todo esse negócio de classes sociais, a grande divisão do mundo é entre os que vão às festas e os que não vão. E esta divisão da humanidade, que data da época do colégio, persiste toda a vida sob outras formas.

— Eu não era convidado para as festas.

— Eu tampouco. Eles tinham medo, porque eu dizia o que pensava e eu pensava muito mal dos meus colegas. Eu detestava quase todo o mundo. Era genial. Mas agora, porque perceberam como nós somos fantásticos, eles querem convidar-nos para as festas de adultos, e fazer de conta que nada aconteceu, como se tudo estivesse esquecido.

Mas não, nós não iremos.

— Ou então vamos somente para comer salgadinhos e tomar garrafas de Orangina.

— E bater com tacos de beisebol na cabeça de todos eles — disse Clémence simulando o gesto.

— E acabaremos com eles com tacos de golfe, é mais elegante.

— Com classe, com graça.

Discutindo tudo isso, eles deixaram o parque. Caminhavam lado a lado, Clémence saltitava, colhia flores, perseguia os pássaros para tocá-los. Ela tinha, mais ou menos, a idade de Antoine; por momentos ficava muitíssima séria e, no instante seguinte, desenvolta e leve, a sua personalidade não cessava de reviravoltear. Com ar cândido, ela exclamou abrindo os braços:

— Por que a gente não teria o direito de criticar, de achar certas pessoas babacas e fracas, sob pretexto de que teríamos um clima pesado e ciumento? Todo o mundo se comporta como se fôssemos todos iguais, como se fôssemos todos ricos, educados, poderosos, brancos, jovens, belos, machos, felizes, como se todos estivéssemos com boa saúde, como se todos tivéssemos um carrão... Mas isso, obviamente, não é verdade. Por isso, tenho o direito de gritar, de estar de mau humor, de não sorrir idiotamente todo o tempo, de dar a minha opinião quando vejo coisas não-normais e injustas, e até de insultar as pessoas. Tenho o direito de protestar.

— Estou de acordo, mas... Isso é fatigante. Podemos fazer isso de um jeito melhor, não?

— Você tem razão — concedeu Clémence. — E idiota gastarmos toda a nossa energia com coisas com as quais não vale a pena gastá-la. Mais vale guardarmos as nossas forças para nos divertir.

— E para passear na margem do rio.

— Passear na margem do rio... Isso é de uma canção, não?

Clémence cantarolou uma vaga canção. Eles caminhavam na calçada entre a multidão de trabalhadores e desempregados, estudantes, velhos e crianças. As lojas, as padarias, os bancos continuavam cheios desses glóbulos variegados que são os seres humanos no aparelho circulatório da cidade. Um carro passou diante deles buzinando e parou dez metros adiante, num sinal vermelho. Clémence tomou Antoine pelobraço.

— Feche os olhos — pediu-lhe ela. — Eu tenho uma surpresa para você.

Antoine fechou os olhos. Um vento leve e quente eriçou os cabelos dos dois jovens. Clémence conduziu Antoine puxando-o pelo braço; ela o levou para o meio da rua. A uns cem metros, vinha um veículo negro.

— Bem, você já pode abrir os olhos.

— Clémence, está vindo aí um automóvel negro — constatou tranqüilamente Antoine.

— Você prometeu que teria toda a confiança em mim.

— Não, de maneira nenhuma, eu nunca disse isso.

— Ah, sim, eu esqueci de lhe pedir que tivesse toda a confiança em mim. Tenha confiança em mim, certo?

— Clémence, o automóvel...

— Jure que você vai ter toda a confiança em mim e pare de gemer, seu medroso. Você não deve mexer-se, isso é muito importante.Jure.

— Está bem, eu juro. Eu não vou mexer-me, eu não... vou mexer-me...

O carro estava já a não mais de trinta metros, a sua buzina urrava para que os dois jovens saíssem do meio da rua. Antoine e Clémence não se mexiam, os passantes olhavam para eles. No penúltimo instante, Clémence puxou Antoine pelo braço e eles caíram na calçada. O carro negro passou resmungando ferozmente e arreganhando-lhes os dentes.

— Eu salvei a sua vida — disse Clémence. — Eu sou a sua heroína! — Ela se levantou e ajudou Antoine a se pôr de pé. — Isso quer dizer que nós estamos ligados pela vida. Doravante nós somos responsáveis um pelo outro. Como os chineses.

— Eu acho que já tive suficientes emoções por hoje.

— Você tem algum número de emoções que não pode ultrapassar?

— Sim, tenho, é isso, senão corro o risco de morrer de overdose. E não me diga que as
overdoses de emoções são geniais, porque não estou acostumado a elas.

Esfomeados por causa da sua vida tão aventureira, Clémence e Antoine concordaram em ir almoçar no Gudmundsdottir com As, Rodolphe, Ganja, Charlotte e a sua amiga. Entretanto, como ainda faltavam algumas horas para o meio-dia, decidiram brincar de fantasma.

Clémence explicou a Antoine em que consistia essa brincadeira: eles tinham de se conduzir como fantasmas, olhar fixamente para as pessoas nos terraços dos cafés, passear pelas ruas e pelas lojas ruidosas, ulular, flanar valendo-se da sua invisibilidade, conduzir-se como se tivessem desaparecido dos olhos do mundo. Agitando as suas correntes e levantando os braços de maneira aterrorizadora, Clémence e Antoine começaram a assombrar a cidade.


Como me tornei um Estúpido, Martin Paige
Ed. Rocco

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

A gente se acostuma com o fim do mundo...


Lá vai mais um post nonsense, ao som de “Crazy” do Seal, versão Iron Savior já que nos últimos dias tenho desenterrado alguns petardos do bom e velho Heavy Metal...

Tive uma noite daquelas, sabe aquela sensação de que você não tem certeza se dormiu ou não?

Me lembro de ter ido me deitar 1:30 da manhã, e ficar olhando para cima, no escuro, ouvindo meu coquetel especial para combate à insônia – este, inclui 4 movimentos dos concertos para cello de Elgar com Jacqueline Du Pré, algumas coisinhas de Therion de primeira fase (Deeeeath Metal), alguma coisa de Bear McCreary, Insomnium, David Bowie, Peter Gabriel, Judas Priest e Tori Amos. Bem eclético.

Enfim, devo ter dormido alguma coisa sim, pois me lembro – apesar da sensação de “salto temporal” – eu ter me dado conta que os fones de ouvido estavam me enforcando lá pelas 6:30 da manhã. E já estava clareando lá fora...

Lá pelas 11 da manhã, meu irmão me solta esta: “Ninguém te falou ainda que estas suas costeletas estão ridículas, parecendo um pedaço de tecido ou uma escova grudada aí na sua cara??”

Meu, não é minha intenção ter costeletas. Não acho que sirvam para alguma coisa. Na verdade me atrapalham justamente quando coloco os fones de ouvido. Beleza, vou dar um jeito nelas hoje a noite.

Ouvindo o noticiário, fiquei chocado com duas notícias que fizeram com que eu finalmente percebesse – mesmo que de maneira tênue – uma série de coisas no aspecto pessoal que vêem me acontecendo nos últimos dias. Claro, pesquisei para comprovar a veracidade da coisa, então seguem os destaques:

1- ) Moradores afirmam que choveu sangue em cidade colombiana

http://g1.globo.com/Noticias/PlanetaBizarro/0,,MUL707823-6091,00.html

2- ) Passageiro é decapitado em ônibus no Canadá

http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL707904-5602,00.html

Ta, beleza, agora você me pergunta, qual a conexão enfim, dessas duas notícias com minha insônia – ou sei lá o que era de fato - e outros fatos ocorridos nos últimos dias? Boa pergunta, ainda estou rachando a cuca aqui, tentando encontrar um sentido. Sei que existe um. Em maior ou menor grau, tudo nesta existência esta interligado (E nada a ver com “uma borboleta bate as asas aqui e ocorre um tufão na Ásia da nossa querida teoria do Caos). Só que tem algo aí...

Ontem tive um deja-vú fortíssimo enquanto trocava idéias com uma Cellista que conheci por aí, nesse tal de mundo virtual – coisas de mundo moderno – realmente tive a sensação de que aquilo já aconteceu antes, “mas” com uma pequena diferença... Dessa vez, ela não me mandou tomar no cu. Ela deveria tê-lo feito. Que otimismo. Não me perguntem porquê, mas isso tem a ver também.

Deus do céu... Aí entra a notícia de que choveu sangue em um vilarejo na Colômbia, mais o caso da decapitação de um passageiro de ônibus no Canadá, minhas costeletas ridículas, o deja-vú que acabei de mencionar, a irmã de tal garota ser sonâmbula e minha possível viagem para fora daqui...

Tipo... Isso faz parte de um circuito integrado?? Ainda matutando aqui deste lado...

Pior... E minha mão esquerda está toda ferrada hoje e não consigo sequer encostar no meu Cello, espero não estar tendo um início de tendinite...

Qual a lógica deste texto todo? Nenhuma, só constatando que derepente é o fim do mundo, e posso muito bem aos trancos e barrancos, conviver com isso...

Em tempo... Músicas para o SEU fim de mundo...

1-) Heroes - David Bowie
http://rapidshare.com/files/134148847/David_Bowie_-_Heroes.mp3.html

2-) Little Red Corvette - Sandra Bernhard
http://rapidshare.com/files/134148849/Little_Red_Corvette_-_Sandra_Bernhard.mp3.html

Heroes - David Bowie

I... I wish you could swim.

Like the dolphins-like dolphins can swim.
Though nothing-nothing will keep us together.
We can beat them-for ever and ever.
Oh we can be heroes-just for one day.

I-I will be king.
And you-you will be queen.
Though nothing will drive them away.
We can be heroes just for one day.
We can be us just for one day.

I-I can remember (I remember)
Standing-by the wall (by the wall).
And the guns-shot above our heads (over our heads).
And we kissed-as though nothing could fall (nothing could fall).
And the shame-was on the other side.
Oh we can beat them-forever and ever.
Then we could be heroes-just for one day.
We can be heroes
Just for one day.
We can be heroes.

We're nothing, and nothing will help us.
Maybe we're lying, then you better not stay.
But we could be safer, just for one day.
Oh, oh, oh, ohhh-oh, oh, oh, oh, just for one day.
Oh, just for one day.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

"Por Um Olhar..."


Olhar
. [Do lat. *Adoculare, atr. das f. aolhar, oolhar, oulhar] V.t.d. 1. Fitar os olhos ou a vista em; mirar, contemplar. 2. Olhar de cara; encarar. 3. Estar em frente de; estar voltado para: "Sua janela olhava para o rio." (...) 14. ESTAR MAIS ELEVADO; estar sombranceiro. 16. Exercer ou aplicar o sentido de vista; procurar ver: "Prova. Olha. Toca. Cheira. Escuta. / Cada sentido é um dom divino." (Manuel Bandeira; Estrela da Vida Inteira, Pag. 20). 17. Bras. Deitar os olhos; Rebentar; Brotar; "O chão parece um tapete verde, as arvores começam a olhar, os algodoais, as ervas, tudo ressurge e revigora ao sopro vivificador da nova estação." (M. Rodrigues de Melo, Várzea do Açú, p. 31) - Novo Dicionário Aurélio, Pág.995 - Ed. Nova Fronteira.

Diz o ditado popular que os olhos são a janela da alma.
Mentira. Dissimula-se o olhar da mesma maneira que dissimulam-se as palavras. O "olhar" hoje já não tem um senso de real valor dentro de nossa sociedade, talvez porque a humanidade esteja dando cada vez mais lugar à objetividade, do que à subjetividade. O ato de apaixonar-se. O ato de se emocionar ao ver uma bela arquitetura antiga. O ato de se sentir pleno, completo e em paz, no meio de um arvoredo, ouvindo os sons do vento e de tudo o que é vivo e te rodeia.

...ou, acordar em uma madrugada fria, e perceber ao seu lado a mulher que você ama, perdida em seus sonhos; enquanto você apenas fica alí, observando-a, seu rosto confortavelmente aninhado em seus travesseiros, e seus cabelos levemente bagunçados.

Houve um outro tempo, em uma outra cidade, em que tive a honra de poder ver um destes momentos; relacionado à uma ex- namorada que hoje tenho como uma irmã. Estávamos em seu quarto, e ela, mulher feita, tirou de uma estante um pote de vidro aonde guardava uma pequena coleção de pedras. Sublime; quase infantil, a maneira como seus olhos brilhavam enquanto, diante de várias lindas pedras espalhadas sobre sua cama, ela me contava sobre cada uma delas. Era o seu olhar. Sua expressão. Sua alma. Inocência. Esta lembrança me acompanha por anos já. Mesmo agora, momento em que escrevo sobre isto neste caderno cujas páginas estão manchadas de vinho barato, ainda vejo aquele olhar...
Passaram-se anos até que tivesse a oportunidade de rever tal olhar novamente, infelizmente não no âmbito pessoal. Passaram-se anos até eu criar coragem e assumir o que sou. Passaram-se anos até que eu entendesse que a minha natureza depende de algo tão subjetivo quanto a música. E com a aceitação veio o Cello. Minha antiga professora. E novamente tal olhar, as vezes que pude vê-la se relacionando com seu Cello.

Desde então me tornei um Voyeur, um colecionador destes olhares tão específico, tão íntimos e; talvez por isso mesmo, tão raros de se encontrar. São olhares verdadeiros. São olhares ternos e completos. São olhares que transmitem paz.

Quem sou eu para explicar a real natureza de tais olhares? Ninguem. Mas, tampouco, como a música em sí, tento estabelecer algum propósito com as palavras deste texto...

Apenas constato de certo modo feliz, que não sou o único que observa isto...


-> Uma Breve coleção de olhares e um mp3...

Tori Amos - Interview - A partir de 04:53s.










Vyvienne Long (Cello) - A partir dos 04:27s. (E claro, a vocalista Lisa Hannigan ao longo do video...)










Uma Mp3... Human Drama
"A Million Years" - (Live, 14384 days later)
Link aqui


"A Million Years"
Push a pin into my arm
I will bleed like anyone
Pull it out and I forget

On a trail blazed with words
One that I was lost upon
The road that I depended on
I follow no more

Tortured man take your hand
Take it from the fire now
Place it in cool water

A hypocrite is one who prays
Only when he feels pain
It's time to open your eyes
So open your eyes

I could wait a million years
Look into a billion eyes
To find another love like this
I could wait a million years

The slamming door the unseen wall
The hurt I never could forget
I struggle to remember

And take my hand from the fire
Refusing all intended scars
You are cool water
Into you, I swim

I could wait a million years
Look into a billion eyes
To find another love like this
I could wait a million years

Held still in one place for too long
Gone blind to the miracle of saving
I pray this angel in my eyes
Was put here to save my life

Through your eyes I feel your soul
What I feel I must believe
What I believe I live
And this coming from a man who clenched

The truth so tight in his hands
Then opened to find evil
Found trusting
Love again