terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Notas Na Interpretação - Emmanuel Feuermann


Existe um material escrito pelo cellista Emmanuel Feuermann que aborda não tanto a técnica, mas sim o “feeling” e o estado de espírito necessário para a execução do cello, que acho imprescindível para qualquer um que busque o domínio deste instrumento.

Sabe-se lá porque são poucos os professores que abordam este assunto. Aliás não sei porquê não o fazem; talvez por ser assunto subjetivo demais... Mas, sinceramente, eu acredito que é fundamental este “quê” de subjetividade e feeling não racional, para uma correta abordagem, interpretação e execução do instrumento...

Afinal, quando o assunto se trata de Cello, não são nossos dedos ou a matemática que trabalha... É nosso feeling e subjetividade de nossa alma que se expressa através do instrumento, fazendo da técnica uma ferramenta...

O material que disponibilizo aqui está em inglês – então espero que vocês tenham o domínio do idioma – mas caso um numero grande de pessoas solicitem-no em português, posso pensar em trabalhar em uma versão traduzida...

Abçs!


Prefácio do Editor:

Estas anotações por Emmanuel Feuermann foram coletadas de diversos cadernos de anotações que o violoncelista levava com ele durante as suas tours de concerto pelos Estados Unidos entre os anos de 1940 e 1942. As anotações originais estavam escritas em Alemão, e as ultimas partes, em sua maioria em Inglês.

Uma tentativa foi feita para balancear o material por tópicos de interesse em relação à ordem das anotações feitas pelo violoncelista; e obviamente houve algumas repetições. Mas isto pode ser tolerado, pois em cada contexto de tais repetições, existem nuances diferentes apresentadas por Feuermann, para cada um dos tópicos.

Por necessidade, foi necessária uma re-interpretação para corrigir erros óbvios na gramática das palavras escolhidas que podem obscurecer o sentido original; e ocasionalmente, uma palavra ou frase foi adicionada para a manutenção da conexão entre as idéias.

E, como ainda também existem apenas fragmentos escritos, espalhados por tais cadernos, uma reestruturação de alguns parágrafos foi necessária.

Seymour Itzkoff

Livre Trad. Andreas Mann


Link:






quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Amanda Palmer & Neil Gaiman...

E, ainda sobre Amanda Palmer & Neil Gaiman...

Claro, não estou em Londres e nem estava na tal data (era dia 15 à 26). Mas achei bizarro - e hilário - o pedido para "um pico" em londres para a preparação da tour Européia da garota...
Então posto aqui, com uns meses de atraso...

Chorem:


A Amanda Palmer Precisa De Uma Casa Em Londres

Post original: http://journal.neilgaiman.com/2008/08/amanda-palmer-needs-house-in-london.html
Autora: Olga Nunes
Data: Sábado, 16 de agosto de 2008
Tradução: Daniel Duclós e Rodrigo Pimentel

O Neil mandou um alô da China pra passar adiante este pedido, em nome da impressionantemente talentosa Senhorita Amanda Palmer:

AMANDA & DANGER ENSEMBLE PROCURAM EM LONDRES UM LUGAR PRA FICAR/UM LUGAR PRA ENSAIAR
15 a 26 de SETEMBRO

a gente (eu e 5 australianos doidos, também conhecidos como the danger ensemble, que estarão se apresentando comigo no palco o ano todo) está indo pra Londres pra se preparar pra nossa turnê européia e precisa de um pico pra ficar que seja perto do centro de Londres!
o ideal é que você viva num lugar incrível com diversos vestiários disponíveis em cima de um estúdio de ensaio (ou uma garagem grande) e que você queira descolar ele pra gente entre 15 e 26 de setembro.

a gente precisa de um espaço relativamente confortável - compartilhar as camas é tranqüilo mas a gente tem que ter camas.

internet wireless é muito necessário. aquecimento e ficar perto do metrô seria altamente desejável. não precisa ser nenhum palácio - a gente se ajeita - se você sabe de alguém que esteja de férias de verão ou que tenha um lugar desses que possa ser habitável por umas semanas AVISA A GENTE!

se você tem uma idéia SÓ pro lugar pra ensaiar ou SÓ pro lugar pra ficar, diga. a gente pode acabar indo de um pro outro se não achar os dois num mesmo lugar.

além disso, se você souber/puder recomendar algum estúdio barato pra ensaio por favor avise a gente, serve qualquer coisa grande o suficiente pra acomodar 7 pessoas e alguns músicos andando pra lá e pra cá. tem que ser maior que um quarto mas menor que uma rodoviária.

e em troca?

um. a gente faz a janta pra você. te paga bebida, ama você, podemos te arrumar uns ingressos pro show da ICA, e qualquer outro show europeu, material promocional de graça, e se você estiver no pique, é possível que todos do ensemble também te dêem uns catos.

steven do The Danger Ensemble está com água na boca esperando receber seu email então manda ver: tour@dangerensemble.com

(De: Amanda Palmer)

Eles estão precisando urgentemente de acomodações de última hora, então se você sabe de um lugar avise-os ASAP. (Quanto antes você mandar um email pra eles, mais cedo você poderá receber seu abraço grupal gigante.) Passe adiante.

Saudações,
A Artista Anteriormente Conhecida Como A Bastante Oficial Web Elf


ISSO deve ter sido extremamente divertido... hehehe



Amanda Palmer & Neil Gaiman


Estava procurando uns vídeos da Amanda Palmer - para quem não conhece, a psicótica que faz duo com Brian Viglioneno não menos psicótico, "The Dresden Dolls" - e as gravações para seu album solo, o maravilhoso "Who Killed Amanda Palmer";
quando me deparei com esse vídeo insólito.

A Amanda Palmer, cá entre nós, não é lá aquele expoente de representatividade da beleza feminina. Mas achei interessantíssimo o fato de ela estar apenas de calcinha e sutiã, cantando as 4:00 am. para Neil Gaiman um cover de Radiohead, em um vídeo caseiríssimo.

Tem algo altamente charmoso aí. rs


De qualquer forma acho eu que vocês iriam gostar de ver...
Sério, a Srta. Palmer estava "a lá vonté", pois era pausa de uma das sessões de fotos para seu album, o já citado "Who Killed Amanda Palmer". A música que ela toca, é "Swamp" do Radiohead, e o vídeo que Neil mostra para ela no youtube, é o da música - "Everything sounds like coldplay now", de
Mitch Benn & The Distractions; uma alusão muito bem sacada, ao "Coldplay" e a posterior infestação de bandas-xerox da mesma...

Vale a curiosidade, pois acho tanto a Amanda Palmer quanto Neil Gaiman, artistas geniais...




quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Porquê todos os retornos são difíceis?



Para mim, retornar aqui após tempos, se tornou algo dificílimo. Existem muitas magoas. Muitas dores. Muitas coisas mal resolvidas que no final, percebo não envolverem mais “pessoas” – porquê estas, sequer existem mais – envolvem apenas memórias...

Algo tem martelado em minha cabeça... Coisas antigas que não quero mais reavivar. Coisas que sei que não me trariam nada de útil.

Memórias. Sinto-me afogado. Sinto-me zoado. Porquê não me parece tão errado querer afogá-las em uma garrafa de Bourbon? Para “eles”, claro. Sempre vai ser. Não existe nobreza nenhuma em se embriagar para esquecer?

Por hora, tento me lembrar da seguinte frase...

“Não deixe as lembranças te matarem”

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Violinos, Cello, Rock... Pt. 14 - "A Whisper In The Noise"



A melancolia é uma dádiva em alguns casos?


Até acho que sim. Digo. Oras é engraçado como a maioria das bandas que costumo resenhar tem essa pegada meio “soturna”. Vai saber. Vai entender. Mas o caso é que raramente eu pego alguma coisa mais... bem, como direi – “alegrinha?” para me fazer trilha sonora.


- E acredite, o que eu classifico como “alegrinho”, é bem possível que você; classificaria como “bizarro”. Lisergia acústica, uhúúú!


Então, se você tem sede por uma melancolia que seja bela, aquela coisa que te inspira a um pensamento saudosista do tipo “meu deus; faz anos já! Por onde anda **** ???”, eu recomendo isto: “Dry Land”.


Dry Land é de certa forma um álbum especial. É o terceiro long play da banda “A Whisper In The Noise” – também belo nome, que nos brinda com uma pequena preciosidade artística cheio de estórias meio dark, como se pintadas à tinta a óleo e, esculpidos pelos já clássicos instrumentos abordados aqui no Vinho & Cigarros. Lógico, o Cello está ali no meio...


Músicas com um poder de assombrar, uma pegada meio retrô, um pé calcado no gótico – não o “gótico” mela-cuecas que virou rótulo para certas bandas, recentemente – e que inspiram a mistérios de casas abandonadas no meio de um pântano. (E, acreditem! Até os rangidos de porta estão aí, fazendo sua participação nas músicas.)


Muitos confundem uma “música poderosa”, com uma parede de guitarras em pleno over drive; baterias em trovoadas e vocais rasgadíssimos. A banda conseguiu mostrar que este, não é sempre o caso, então você já consegue imaginar que não irá encontrar tais elementos por aqui, não? ...e mesmo assim, esta banda teve a competência de criar uma música que te embala, e que pressiona o ar ao seu redor, como em uma espécie de cobertor de fumaça. Acolhedor. E, opressivo.


A gama de instrumentos clássicos utilizados aqui como o Cello, o Violino e a Viola entre outros, traz um senso tonal que evoca uma melancolia introspectiva, e, como que para acompanhar, uma lâmina de frágil beleza. As guitarras são levemente dedilhadas... O piano tem algo de “abafado” em seu som, ou então quando se sobressai, o faz em lentos arpeggios que marcam a passagem do tempo, como gotas da chuva, ou então pétalas de uma flor caindo sobre chãos empoeirados de quartos levemente enferrujados... E as cordas, claro, contribuem para transformar este cenário, em uma bela pintura, no final das contas...


Mas é isto que no final das contas a banda pretendia com este álbum. Uma jornada ao seu Eu interior, descascando-o; como de fato deve ser – pois este tipo de viagem pessoal, não costuma ser um passeio de domingo para um piquenique...


Ta. Espero não tê-los assustado... Porque no final das contas, apesar de melancólico, o som deles é bonito para caramba, mesmo que eu não faça a menor idéia com o que compará-los se me fosse perguntado...



Clip: A Whisper In the Noise: "Tale Of 2 Doves"














Link: A Whisper In The Noise - "Dry Land"
















quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

A Física da Arcada - Sistema de Suspensão




Uma dificuldade bastante comum entre todos os Cellistas iniciantes – eu incluído, vivo passando por isto – é a questão da naturalidade dos nossos movimentos naturais, perfeitamente orgânicos, em relação à perpendicularidade geométrica das cordas de nossos Cellos.


Os maestros, professores, métodos etc; dizem que temos que passar o arco de maneira totalmente paralela ao cavalete, de maneira perpendicular às cordas. Isto é um ponto óbvio, pois é neste sentido que as cordas, em atrito com a crina de nossos arcos, vibra em sua totalidade; e basta curvarmos um pouco o arco e sair um pouco desta posição, que notamos uma diminuição na qualidade e na potência do som produzido.


Assim, se permitirmos que nosso braço atue de maneira livre, a figura que este traça é o de uma meia lua, já repararam?


Então, como fazer com que esta meia lua fique perfeitamente reta em suas extremidades?


É exatamente aí, que os maestros, professores e métodos, começam a improvisar: - “O pulso mais torcido” dizem uns; “O antebraço mais para cá, ou para lá”; “mova os dedos”, etc etc.


Mas a realidade é que, embora estes ensinamentos sejam bastante importantes para que o aluno “pegue” a familiaridade com o manejo do arco e crie bases sólidas para o desenvolvimento de uma técnica de arco; não existe uma maneira 100% correta de se atingir este objetivo. Este, irá variar de músico para músico, dependendo da escola e método que o mesmo segue. E, ao pegar a “manha” de seu arco, irá acabar por adaptar sua “pegada” da maneira que lhe é mais confortável e lhe exige menos esforço.


Me lembro bem das palavras de minha primeira professora quanto a isto, a arte do Cello principalmente no que tange aos movimentos, é basicamente “a lei do menor esforço”. Se, estiver tensionando o pulso, o braço, o antebraço, o ombro... – ou todos eles simultaneamente rs – pode ter certeza de que algo está errado.


Mas, existe uma maneira mais técnica, científica bem como biomecânica de demonstrar os movimentos do braço direito enquanto movimentando o arco. Basta analisar o gráfico abaixo:




A linha reta que se vê no gráfico acima, é a representação do movimento – esperado – do arco sobre a corda ao se tocar uma nota longa, como por exemplo uma semibr
eve.


A linha abaixo, representa o movimento esperado do pulso.


Desta forma, para que o pulso se mantenha em uma posição paralela ao arco e este, paralela às cordas, o conjunto total envolvendo o antebraço e braço deve se movimentar compensando seus ângulos.


Assim, para manter a linha reta desejada, o pulso deve se curvar quando chega ao talão, e também deve se curvar um pouco quando chega à ponta do arco. É imprescindível que os dedos, embora firmes, mantenham a flexibilidade para poder acompanhar tal movimento.

Mas, qual o segredo da “flexibilidade e firmeza”?


Aí é que está.


As articulações do pulso e dos dedos na verdade, acabam atuando como um sistema de “suspensão” para o arco – nos dois sentidos; “amortecimento” bem como “suspender” – e não devem se curvar, quando estivermos em movimento de tração.


A tração, como foi definido desde os tempos do saudoso Casals, deve partir da articulação do ombro, este, sendo uma espécie de centro de energia que, na ordem ombro-braço-antebraço-pulso; funciona como uma derivação/redução de movimentos. É através deste sistema que não é nada mais que física, que somos capazes de articular as mais suaves nuances sonoras.


É um erro comum forçar as articulações do punho e mexer os dedos durante a execução das arcadas ao invés de deixá-los acomodados de maneira natural. Isto acaba causando um efeito ao contrário do desejado: Arco travado, notas cortadas e uma sonoridade apagada.


Para que o som não fique cortado, pensemos na analogia com um cantor: a sustentação da voz; mas no nosso caso, a sustentação do movimento contínuo e harmonioso do arco.


O arco, meus caros – novamente como dizia minha querida professora – "é nossa respiração, e não nosso ouvido..."











quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Duport - 21 Estudos Para Cello



Finalizando as postagens dos métodos que foram foco de estudos do ensaio da Srta. Sheila Sampaio em seu “Análise e Classificação de Estudos Selecionados Para Cello” - Disponivel aqui, em algum lugar deste blog – segue agora os famosos 21 estudos para Cello Solo.


Os métodos modernos para Cello surgiram aproximadamente em fins do século 18.

Enquanto os grandes mestres Italianos iniciaram o desenvolvimento da arte e técnica do Violino antes do fim do século Dezessete, coube ao Francês Jean-Pierre Duport trazer um pouco de ordem e alavancar os materiais disponíveis para o estudo do Cello com, com o seu “Ensaio de digitação e condução de arco” e estes 21 estudos para o Cello Solo; ambos, sendo considerados hoje em dia um trabalho seminal para o desenvolvimento da técnica do instrumento.

Estes estudos foram escritos com o objetivo de desenvolver a agilidade da mão esquerda bem como uma melhor técnica de arco, para Cellistas intermediários e avançados.

Jean-Pierre Duport nasceu em 27 de novembro de 1741, e era o feliz proprietário original do Stradivarius que leva seu nome, o “Duport Stradivarius” – este, que esteve em mãos do Cellista Russo Mstislav Rostropovich, até sua morte.

Junto com seu irmão – também Cellista, Jean-Louis Duport, Jean-Pierre era bastante ativo na vida musical da França e da Alemanha. Tendo realizado seus estudos junto a Martin Berteau, ambos eram amigos de Beethoven.

Em fevereiro de 1796, Beethoven deixou Vienna para uma tour de cinco meses que com destino à Praga, acompanhado pelo Príncipe Lichnowsky – que por sua vez, acompanhou Mozart em 1789 – passando por Dresden, Leipzig e Berlin; onde ficou maravilhado e foi influenciado pela alta qualidade das atividades musicais desenvolvidas na corte de Friedrich Wilhelm II da Prússia; aonde Jean Pierre era diretor do departamento da Orquestra de Câmara.

Em 1812, Jean-Pierre retornou a Paris, aonde encontrou Napoleão e este, insistiu em experimentar seu Stradivarius. É documentado que, Napoleão disse: “Como diabos você consegue segurar esta coisa, Monsieur Duport?” Claro que, com esta afirmação, Duport ficou tão preocupado que Napoleão pudesse danificá-lo, que devolveu seu Cello às mãos de Duport, em meio a risos. E, é fato que, Napoleão fez propositalmente, uma pequena marca na lateral do Cello, que ainda hoje pode ser vista no instrumento...


Link:

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Ladeira Abaixo...




O cansaço se tornou uma máxima dentro de todo o leque de sensações que eu posso sentir. Uma mistura de cansaço, dor e revolta. Amargura.


Ah se fosse nos dado o direito de retroceder apenas alguns anos...


Ontem passei horas lendo a respeito de suicidas. Horas.


É um assunto que me fascina. Qual o grau de desespero e sensação de se estar encurralado quando alguém chega a este extremo? O senso comum diz que, alguém que decide por praticar tal ato, é um covarde egoísta. Nunca.


Quem somos nós para julgar a dor alheia? É coragem. É o máximo da responsabilidade perante o livre arbítrio. Em ultima análise, talvez como disse algum filósofo por aí, é a única real decisão a respeito da própria que alguém pode tomar.


Sabiam que é possível se fazê-lo com uma overdose de Paracetamol; ou o vulgo Tylenol – indicado contra a dengue e não desaparecendo os sintomas, procure um médico? Falência Aguda Hepática. 72 a 96 horas. Geralmente, em 48 horas, o quadro se torna tão grave que o indivíduo precisa de um transplante imediato de fígado. As estatísticas dizem que cerca de 92% dos casos registrados, levam ao óbito. Mórbido? Talvez. Mas não menos mórbida, é a realidade geral da existência, hoje em dia.


O que somos hoje não depende mera e exclusivamente de nosso livre arbítrio.


Muito pouco na verdade quando se trata em decidir “o que queremos ser”.


Você se torna – ou tenta – o que sua família espera que você se torne. Mesmo que não dito, espera-se algo de você. E, ai de você se não cumprir com tais expectativas. Se não existir a cobrança familiar direta após, sempre existira a própria culpa para fazer o papel de carrasco. Qual o objetivo? A culpa tem o poder de expiar teus próprios pecados? Será isto que a igreja pretendia quando decidiu que o suicídio deveria ser considerado um pecado, e, portanto, os praticantes de tal teriam suas almas carinhosamente encaminhados à um tal mar de ferro fundido e fogo esperando um julgamento final?


Livrinhos legais para se ler:

O Deus Selvagem – um estudo sobre o suicídio – A.Alvarez.

Além do Bem e do Mal – Nietzsche

O Homem Revoltado – Albert Camus

A Negação da Morte – Ernest Becker


“E, abertamente entreguei meu coração à terra séria e doente, e muitas vezes, na noite sagrada, prometi amá-la fielmente até a morte, sem medo, com a sua pesada carga de fatalidade, e não desprezar nenhum de seus enigmas. Dessa forma, liguei-me à fatalidade por um elo mortal”

Hölderlin

A Morte de Empédocles


Não tente falar suas idéias. Não tente mostrar quem você é. Não seja franco. Não abaixe a guarda, jamais! Pois eles não irão ouvi-lo. Suas idéias lhes soarão revoltantes. Suas idéias serão consideradas vindas de um homem louco. E, em uma melhor hipótese, suas idéias lhes soarão piadas.


É esta a pior dor. Ter voz para não ser ouvido.


Jamais.


Está nascendo mais um dia lá fora...







domingo, 18 de janeiro de 2009

Instrumentos Italianos Antigos como Investimento...



O clima de compra para os instrumentos manufaturados por Stradivari’s e Guarneri’s tem se intensificado de forma dramática nos últimos anos; e a demanda é tão grande que, o desejo pela posse de um dos 800 instumentos catalogados existentes produz um desempenho de mercado mais forte do que todos as outras formas de investimento conhecidas; sejam estas ações, ouro, títulos públicos etc..


Eu fiquei surpreso quando pela primeira vez tive acesso ao gráfico a seguir.


A performance de valorização de tais instrumentos Italianos raros nos últimos 45 anos, se analisarmos comparativamente com os investimentos convencionais, apresentam uma porcentagem que chega a ser algo aparentemente fora do real – e, em minha opinião, beirando um pouco o nonsense; apenas uma opinião minha. Oras, vejamos:


A valorização de metais preciosos bem como do Índice Dow Jones ficou algo em torno de 1.800% para este període de 45 anos. Já, a valorização de violinos antigos para o mesmo período de 45 anos, ficou em torno de 19.400%.


Um dos fatores de supervalorização é a funcionalidade de tais instrumentos. Desde a sua manufatura a uns séculos atrás; a grande maioria deles continua na ativa sendo eles essenciais no desenvolvimento da carreira dos músicos de primeiro escalão, bem como solistas e líderes de orquestras.


Estes violinos, violas e cellos, são apreciados por milhões de amantes da musica erudita ao redor do mundo, seja em concertos ou durante sessões de gravação.


O foco geográfico de negócios e compras de tais instrumentos raros normalmente se dá em países da Europa; ou então na Rússia, Estados Unidos e Taiwan. Mas, espera-se que muitíssimo em breve, a China irá entrar também neste circuito dado o enorme potencial dos músicos que em breve entrarão em destaque, bem como a forte expansão econômica do país, que possibilitara uma parcela da sociedade, negociar tais instrumentos.


Uma vez que a China entre neste mercado, espera-se uma expansão violenta da valorização dos mesmos. Basicamente, temos um cenário bastante parecido ao que aconteceu cerca de trinta anos atrás, quando o Japão começou a comprar tais instrumentos, causando uma alta dramática nos preços por anos a fio. E, talvez inclusive, esta valorização seja maior ainda do que naquele período, justamente pela menor disponibilidade de tais instrumentos no mercado, já que os mesmos hoje se encontram dispersos pelo mundo afora.


A cada ano que passa, muitos violinos de virtuose são adquiridos por instituições que os manterão em suas coleções, por gerações. Some a isso também o fato de que alguns acabam por acidente ficando irreparavelmente avariados, ou, são roubados; e temos um item que se torna cada vez mais raro.


Apenas para termos uma idéia maior de valores, a Fundação Chi Mei cuja sede é em Taiwan anunciou em 2007, a intenção de compra no valor de US$ 500.000.000 em violinos raros até 2009. Já a Fundação de Musica do Japão que tem sido um dos mais ativos compradores nos últimos anos, sinaliza que manterá seu ritmo de aquisições para sua coleção.


E, é totalmente improvável que tais organizações, pensem em se desfazer de tais instrumentos em um futuro próximo.


Caso que ilustra bem a situação acima, são as pinturas clássicas Italianas. No início do século XX, muitas delas foram adquiridas por colecionadores públicos e privados, e assim acabaram saindo do mercado por períodos maiores do que 75 anos.. É o que se espera para os instrumentos antigos agora nos próximos cinco a dez anos.


A escassez, aliada a funcionalidade, fazem dos Instrumentos de virtuose Italianos, uma das mais rentáveis e inusitadas formas de investimento conhecidos...


... então, alguém quer comprar meu Cello Strad.? : )



Instrumentos nas imagens acima:
1 - Viola Gasparo da Saló, Brescia, 1590, - "Adam"
2 - Violino A & H Amati, Cremona, 1617
3 - Cello Matteo Gofriller, Veneza, 1715



























sábado, 17 de janeiro de 2009

Violinos, Cello, Rock... Pt. 13 - "Espers"




Nada como o bom e velho Brasil.


Nem tanto. Metade da falta de vergonha na cara que acontece por aqui é justamente pelo fato deste paisínho ainda estar na puberdade.

Nossos políticos sofrem de pura crise de puberdade; birrentos, enfim.


Bom, falo isso por conta do que me aparece ao pesquisar alguma coisinha a respeito deste conjunto; “Espers”


Tem uma banda que curto para caramba chamada “Espers” que iniciou as atividades na Filadélfia, acho que em 2002.


Aí, eu venho e começo a buscar material na net para resenhar algum trabalho deles, digito o nome da banda no Google e o que me aparece? Hein? Hein?? – Esta bizarria aqui: “Ronaldo Esper nú: visão do inferno” – Porra meu, que merda é essa?


Ah, enfim, só comentando com vocês, já que tou morrendo de sono e com um monte de Thinner na cabeça - Estava mexendo em umas telas minhas.


Voltando à banda: Espers, é uma banda bacanuda – que começou como um trio, mas hoje expandiu para um sexteto – que pratica uma espécie de música folk com forte pé calcado na psicodelia dos anos 60, mas em uma roupagem relativamente nova; portanto, de forma alguma soa datado.


A vocalista Meg Baird, tem uma voz sussurrada que se encaixa perfeitamente nesta verdadeira floresta de instrumentos, de uma maneira totalmente sutil, deliciosa mesmo.


E, acreditem, quando digo floresta de instrumentos, realmente EXISTE toda uma fauna e flora instrumental aqui, envolvendo uma porrada de instrumentos aos quais nunca ouvi falar antes... echo plex, crumar toccata, crumar performer, univox mini-korg, arp odyssey, omnichord, doumbeck, dholak, singing bowls e o tal de crybaby.


...e, lá no fundo, você ainda consegue distinguir as linhas de cello da Srta. Helena Espvall, macias, macias...


Coisa morna mesmo, acolhedora.


Link I
Link II


























Improvisação no Cello... Dica



A improvisação em quase todos os instrumentos de origem e utilização notadamente mais clássicos como o caso do Cello, sempre foi bastante descuidado em conservatórios e escolar – para não dizer que muitas vezes, sequer é mencionado.


Mas afinal, qual é o problema?


Creio que muitas vezes, seja o conceito de que os músicos apreciadores deste gênero musical dito “sério” – como se os outros, não o fossem – são os únicos “autorizados” a compor material musical, e os intérpretes, devem ser meros reprodutores do mesmo.


Mas, se a gente observar um pouco a história da música, veremos que nem sempre a coisa toda foi assim: Por exemplo, Bach e Mozart também eram conhecidos como grandes improvisadores. Este fato, não ficou conhecido porquê simplesmente improvisavam; mas sim, porquê faziam-no muitíssimo bem!


A coisa ganha um contorno mais compreensível quando consideramos a musica como uma variação da linguagem.


A música, como a linguagem, basicamente são códigos baseados em sons, que são ordenados, e de acordo com a ordem dada a eles, ganham seu significado.


Quando uma criança aprende a falar, ela começa a repetir os sons dentro de um determinado contexto. E, dentro deste contexto, ela começa a associar os significados de cada som, com cada objeto, idéia ou experiência dentro do mundo que ela está explorando. Logo, com um repertório de 3 ou 5 palavras apenas, a criança já está começando a se comunicar dentro de outros contextos.


– O que está acontecendo? A criança, no final das contas, está apenas aprendendo a improvisar. E, logo, a medida que seu cérebro e sua mente se desenvolve, aprende mais e mais palavras, compreende a forma de sua gramática bem como seu uso correto, e começa-se a chegar perto do objetivo final; a comunicação.


Então, porquê dentro da pedagogia musical de conservatório, não se produz os “comunicadores”, e somente os “repetidores” de palavras sem significado? É como se a criança passasse por uma escola e aprendesse a falar com muitíssima habilidade e eficiência, e no entanto, só pudesse – ou fosse autorizado - fazer uso de tais faculdades através da leitura de discursos escritos.

Já vi casos de Cellistas experientes, capazes de tocar passagens totalmente possuídas demoniacamente falando; seres virtuosíssimos em sua técnica; se sentindo completamente vazios e indefesos ao tentar uma improvisação s
imples de algumas frases musicais. E, me soa bastante triste a incapacidade dos mesmos de enxergar isto como uma oportunidade de retornar à sua infância musical, isto é; a oportunidade de aprender “um novo idioma” além daquele no qual ele já é exímio executor – E, que por fim, irá lhe dar uma capacidade ainda maior de execução e sua própria expressão.


O que tem que se ficar claro, é que não existe uma técnica específica de se improvisar. Existe uma corrente de pensamentos que afirma que apenas no Jazz existe a improvisação; o que é um erro. O que ocorre é que dentro do Jazz, foi elevada a improvisação aos seus limites extremos.

Nos exemplos assim, é usado um estilo neutro, que pode ser associado a qualquer música devido à sua simplicidade.

Começa-se utilizando os Arpeggios, a melhor maneira de entrar em contato com a harmonia da seqüência a ser usada – Se bem que, não é necessária a utilização de uma base harmônica para improvisar.

Os Arpeggios serão tocados da seguinte forma, para o repasse e re-familiarização da técnica, visando assim o contato com a harmonia do instrumento:



Esta harmonia é bastante simples; uma seqüência diatônica dentro da tonalidade de C Maior. É bacana para quem tiver como, gravar ou sequenciar este compasso em qualquer estilo – apenas para se ter uma base mais divertida que um metrônomo, para se trabalhar.

A princípio, realiza-se o exercício lentamente, inclusive se desejar, em Pizzicato. Chegando-se ao final da seqüência, repete-se.

O passo seguinte, é tocar os Arpeggios não apenas em modo ascendente; mas também no descendente. Ou seja, ida e volta – C, E, G, C, G, E, C.


Próximo passo: Complicar mais um pouco as coisas:



Talvez já tenham percebido, mas a idéia de se realizar tais Arpeggios, é iniciá-los da sua forma inicia, e logo de sua terceira. Em C, começamos em C, após; E.

Em Am.; começamos em Am, C naturaral e, assim sucessivamente.

Esta, é uma das inúmeras dicas que podem ser seguidas para se começar a brincar com a improvisação; compreendido o que escrevi acima, experimentem partir das terceiras e irem diretamente para as quintas – Uma ajuda: Neste caso, em C, o primeiro compasso seria E, G, C, E – G, C, E, G.

Na verdade a sistemática toda é bastante fácil embora, exija-se um pouco de paciência, pois vão perceber que no final, trabalhar com música em forma livre, a improvisação se torna uma coisa um tanto quanto pentelha.

Caso queiram verificar se estão realmente entendendo qual é que é deste exercício, toque a linha a seguir fazendo exatamente o que foi feito no primeiro exercício. Isto é, na primeira nota teríamos (Ascendente): G, E, G, C, E.



Com isto, já se dar para ter uma idéia de onde queremos chegar... Se o que está escrito aí em cima for trabalhado de forma correta, terão gratas surpresas...

Agradecimentos pelos toques à Jennifer Spasamelli - Yale University