Oi, pessoal! (Meio abandonado isso aqui, hein? Haahahah!) Bom, pra dar uma atualizada, aí vai uma ótima dica pra quem curte folk-rock e violoncelo: Ken Oak Band.
O Ken Oak Band é um grupo californiano de folk-rock, composto pela dupla de músicos Ed Gorski e Ken Oak. Ed é responsável por criar boas bases de violão para as belíssimas criações de Ken no cello.
A música deles calma e agradável de se ouvir. Ken possui uma voz harmoniosa e cheia de alma. Queria ter encontrado algum álbum deles na net e dispor aqui pra download, mas não encontrei... recentemente, soube que eles mudaram o nome do grupo para "Oak and Gorski". De todo modo, fica aí a dica com alguns vídeos:
Em meados de 2008, tive a oportunidade de conhecer o trabalho de um músico sensacional: Matthew Schoening a.k.a "Mr Celloman".
Matthew é o que se pode chamar de um músico completo. A despeito de sua formação musical (que vai da percussão ao violoncelo, passando ainda pela guitarra e o piano), Matthew é um tremendo "experimentador". Ele é especialista no uso de pedais de Looping (são pedais de efeito que gravam o som do instrumento e o repetem em várias pistas, simultaneamente), no que ele chama de "The Art of Live Looping", criando belíssimas e únicas melodias com apenas um único instrumento.
Sua música é profunda e nos remete àquelas trilhas sonoras de filmes em que a emoção fica à flor da pele. Basta fechar os olhos e viajar nas linhas...
Perguntado de onde vem a sua música, responde ele, sem piscar:
"It comes from my soul... It is how I express everything about myself. It is how I heal, and heal others... A lot of people tell me that they connect to my music on a very deep level. Well, this is why. It's real, and it comes from my heart and soul, and I am risking and exposing it all just to be able to share it with you all..."
Ver uma perfomance ao vivo desse cara é coisa de louco, porque seus ouvidos custam a acreditar que todos aqueles sons estão vindo de um único instrumento. Vide:
Oi, pessoal! Hoje vamos falar um pouco sobre alguns equipamentos necessários à ampliação do som do violoncelo, que é uma parte essencial na hora de se fazer a conversão do violoncelo (acústico) para um instrumento plugado.
Lembrando que tudo o que eu tô dizendo aqui se baseia em experiências pessoais e pesquisas 'internéticas', portanto, sintam-se à vontade para concordar/discordar/comentar/acrescentar, belê?
Bom, o primeiro passo na hora de se fazer essa 'conversão' é escolher de que forma você deseja captar o som do seu cello: se por meio de microfonação ou por meio de captadores de contato. Ambas as formas tem as suas nuances e características, portanto, vai do gosto do músico e do som que ele quer obter, okay? :P
1 - Microfonação
Nesse sistema, basicamente, você posiciona um microfone (especialmente desenvolvido para se captar o som de instrumentos acústicos, de preferência) a uma certa distância dos "F's" (f-holes), a fim de se captar o som tal qual ele sai do instrumento.
A grande vantagem desse tipo é captar o timbre real do seu violoncelo, com aquele acústico natural. A grande desvantagem é que dificilmente o microfone irá captar SOMENTE o som do cello, mas sim toda a ambiência do lugar. Quando se está tocando em um teatro ou sala fechada, tudo bem, mas em lugares abertos é horrível, não recomendo mesmo.
'Microfonação' faz a alegria dos 'puristas'... rsrsrs
2 - Captadores de contato
* Este é um modelo mais simples. Basta encaixá-lo na abertura do cavalete, sem muito esforço, podendo ser retirado a qualquer momento.
Existem vários modelos atualmente no mercado, desde aqueles mais invasivos (requerem mudanças radicais no seu instrumento) aos mais simples e práticos (só precisam ser encaixados/presos no cavalete). Consistem geralmente de um pedaço de metal que fica preso junto ao cavalete, com uma saída/rabicho na qual você deve introduzir um cabo.
* Esse é o modelo que uso atualmente. Dá um pouco de trabalho para encaixá-lo embaixo do cavalete, mas ele é muito bom. Pode ser encontrado aqui.
A grande vantagem desse modelo é que a captação é mais poderosa (em termos de volume, já que ele fica em contato direto com o corpo do cello), além de ser bastante prático (não precisa montar uma estrutura de microfones, basta plugar o cabo e pronto). A desvantagem é que o timbre nunca sai 100% fiel ao seu instrumento. Mas este é um problema que pode ser contornado com o uso de equalizadores.
Então é isso, meus caros. O ideal é testar ambas as formas e ver qual a que mais se adequa ao som desejado, pois todas elas tem prós e contras. No próximo post vou falar um pouco sobre pedais/pedaleiras e amplificadores. See ya! o/
-> Bom, pessoal, depois das acalouradas palavras de boas vindas dirigidas a mim pelo o fundador deste querido blog (valeu, Andreas!), vamos ao que interessa, né?
Tocar um cello em meio a uma saraivada de riffs de guitarras distorcidas e levadas de baterias que mais parecem britadeiras pode ser uma experiência torturante. Não é tão simples quanto parece.
Uma coisa é tocar música de câmara num palco, acompanhado apenas por um violino ou viola. Outra completamente diferente é estar acompanhado por uma banda de rock (guitarra[s], baixo, bateria, teclado...). O volume de som é muito grande! Não tem comparação. Rola uma confusão sonora tremenda, que irá exigir dos músicos uma certa dose de sensibilidade, tanto para uns com os outros, quanto para com o público.
É muito complicado introduzir o cello e encontrar seu espaço dentro de um espectro sonoro tão amplo. Sem perceber, você começa a atacar o arco com mais força, na tentativa de se ouvir melhor. E, com isso, se cansa mais rápido. E logo consegue uma tendinite que vai te deixar um mês sem pegar no violoncelo de novo.
Seus colegas de banda (e você também) precisam entender que há espaço pra todos. É claro que, em certos momentos, um determinado instrumento terá que se sobressair (um solo, uma passagem mais densa...), mas vocês terão que ter o feeling de sentir onde, como e quando. É sempre bom também contar com um técnico de som que conheça o som da banda e/ou as músicas e que possa controlar o volume dos instrumentos direto na mesa de som.
Agora vamos ao problema mais terrível de todos: o feedback. Bom, como vocês sabem, o corpo do cello é uma grande câmara de ressonância. Dependendo de como se dá a captação (microfones, captadores de contato...), o corpo do violoncelo "absorve" todo o som do ambiente que estiver a sua volta!! É terrível, o corpo do cello começa a vibrar desesperadamente, até que não se escute mais nada a não ser microfonia!!
Daí você fica naquele dilema: se eu aumentar o volume, a microfonia (feedback) destrói tudo, mas se eu abaixá-lo, não vou conseguir me ouvir. Como faz?
Já procurei na internet tudo quanto era forma de se reduzir esse problema. Ouvi falar de gente que cobre os "F's" (f-holes) com algum tipo de esponja (nunca tentei, mas acho que não deve dar muito certo). Outros abandonam o uso de monitores de palco e passam a usar só fones de ouvido (já tentei isso, reduz um pouco a barulheira, mas perde-se um pouco do tesão também). Outros loucos tentam usar aquelas barreiras de plexiglass (shields) em volta de si, para ficarem longe do som de seus colegas de banda. Tem louco pra tudo nessa vida...
Neste ponto, o uso de violoncelos elétricos tem uma grande vantagem: a ausência de câmara de ressonância faz com que se tenha um som muito mais limpo e audível. Mas não é todo muito que gosta do timbre (e do visual) dos electric cellos...
Violoncelo elétrico: a salvação?
Acho que tudo depende de sensibilidade musical. Todos querem ser ouvidos e ouvirem também, portanto, devem olhar a música como um todo. Às vezes, é preferível abaixar o volume dos instrumentos no geral a correr o risco de estragar uma apresentação. É uma linha tênue que separa as coisas.
Então é isso, pessoal! No próximo post vou falar um pouco sobre equipamentos. See ya! o/
Das distantes paragens localizadas a Noroeste de onde o vento faz a curva, bem além de onde Judas perdeu as botas (E, dizem as más línguas, aonde nasceu a infame modalidade da fixação voyeurista por meias furadas que tanto contamina a Cristandade atual) ou também a infame região conhecida como “Acre”, a cidade mais expressiva da Lupalândia; é com prazer que faço as honras para a entrada do mais novo integrante da mesa aonde são servidos Vinhos da melhor (entre alguns, de origem duvidosa) qualidade, bem como aonde a lei anti-tabagismo ainda não pegou.
Com vocês; o Sr. Chico Mouse.
De acordo com suas próprias palavras, o Sr. Mouse tem 25 anos; versado em Lumpalês, e está em vias de ser expulso de sua comunidade local por insistir com veemência na necessidade da inserção de sessões de cordas nos coros dos Lumpa Lumpas.
Com esse novo membro, provavelmente teremos acesso a várias informações valiosíssimas a respeito de tão mítico e desconhecido território que é o Acre. Seria este, localizado no platô do “Mundo Perdido”; tão em voga após os trabalhos sérios de pesquisas de Sir. Arthur Conan Doyle?
Seria este, uma extensão metafísica do Condado, na Terra Média e aléns? Ou seria este na verdade uma dimensão paralela diretamente atrelada ao Reino dos Cogumelos Mágicos que insistem em brotar em vários pastos pelo Brasil afora em manhãs ensolaradas após uma bela chuva? Perguntas, perguntas... Vamos com calma!!
Definitivamente, ao ter assinado um pacto com o Capiroto e ter decidido se tornar servidor público; ganhou tempo livre para suas incursões Cellisticas no que tange o mundo Pop Rock - mesmo que estes versem sobre a cena musical produzida por anões barbudos mal humorados que se divertem descendo machadadas em alguns incautos Elfos de passagem.
Dêem um pouco de Farofa e Tereré, e tenho certeza que na maior boa vontade; ele irá lhes explicar detalhadamente a respeito do maior cemitério de anões do universo que localiza-se justamente no... Acre! (Breve explanação; os Anões migram para o Acre em sua hora final a fim de que seus corpos sejam enterrados e suas almas, transformadas em pombas. Será que isso explica o porquê de você nunca ter visto um enterro de anão, filhotes de pombas ou um Acreano legítimo?)
Acreano Cellista? deus do céu... - Não, tira o “deus” daí já que sou agnóstico - definitivamente passei por um Buraco Negro até lá; até porquê dizem ser mais fácil do que, pela Transamazônica...
Meu caro Sr. Chico Mouse, seja MUITÍSSIMO bem vindo acá nestas paragens; mesmo que tuas contribuições Cellista-filosóficas se dêem com uma floresta Amazônica de distância...
Puxe uma cadeira, sirva-se do vinho e acenda um cigarro; sinta-se em casa...!!
Em tempo:
O Cidadão ainda mantém o“Ufa! Cansei”, contribui no “Eu Podia Ta Kibando” e ainda triggou o Cello; coisa que eu desavergonhadamente não tive a capacidade de fazer até o momento...
É muito provável que cá para estas terras, poucos se deram conta do impacto causado pelo Canadá em termos de produção musical de qualidade.
Encontramos uma enorme variedade de exemplos inseridos em quase todos os subgênerosmusicais, transitando entre as Popices de nosso dia a dia, passando pelo Folk, Neoclássico, Progressivo e as mais viscerais bandas de Heavy Metal e sinceros Rock de garagem.
Se engana quem imagina que este seja o despertar de uma nova cena musical; pois, basta um pouco de boa vontade e certa busca de prazer pela pesquisa musical para perceber a existência de um vasto leque de bandas que sobrevivem em um circuito musical cujos polos de aceitação residem em outros eixos que não os mesmos em que se apóiam Neil Young, Joni Mitchell ou Rush, citando apenas três.
Geralmente – e curiosamente – tais eixos tendem a incluir além do Canadá, principalmente países como a França, Inglaterra, Irlanda ou Escócia; e infelizmente (ou não) permanecendo quase inacessíveis para quem não se propõe a pesquisar.
Não faço idéia de como raios cheguei a este sexteto Canadense que atende pelo singelo nome de “Hey Rosetta!”.
Sua essência reside no tradicional rock de garagem; enérgico, costurado a belas texturas criados pelos Cello de Romesh Thavanathan e Violino de Erin Aurich.
- O resultado?
Impossível não supreender-se com a exata noção de senso de estrutura envolvendo todos os instrumentos, bem como a energia pura de músicas mais agitadas como “Lions for Scottie” por suas fortes execuções. Impressionante o bom gosto, bom senso bem como a sincronia dassessões de cordas nesta mesma música. Como uma perfeita luva!
Em músicas menos enérgicas; mais emocionalmente orientadas, é notória a perfeita integração e coerência da sobreposição de uma infinidade de elementos musicais. Cito a “The Simplest thing”; um petardo inicialmente conduzida por voz e piano, mas que não tarda a se lançar em uma orientação descompromissada baseada em um trompete; finalizando em um crescendo belíssimo executado por todos da banda; acompanhado por um coro de vozes de forma redentora. Catártico.
Em épocas que me é clara a vocação puramente comercial de cada nove entre dez novas bandas que escuto; me é uma delícia encontrar um conjunto que pela sua fantástica química, transpira uma genuína sensação de prazer em fazerem música juntos.
Um raro achado; pela beleza das composições, coloco-os com carinho em minha prateleira, dividindo espaço com os Ingleses do “My Latest Novel”, ou os Irlandeses Lisa Hannigan e Damien Rice – embora sem a pegada “estou na fossa” do último citado.
Grave incerteza, todas as vezes em que o espírito se sente ultrapassado por si mesmo, quando ele, o explorador, é ao mesmo tempo o país obscuro a explorar e onde todo o seu equipamento de nada lhe servirá.
- Marcel Proust, “No Caminho de Swann”
É isso.
Eis que janeiro se foi; e junto com, algumas pessoas profundamente amadas cada qual ao seu modo. Algumas alçaram novos rumos, novos ares, se mudando para longe. Seja por um período predeterminado com data de retorno marcado, seja porquê deixaram este mundo, jazendo a partir do fato, para a memória coletiva e para a saudade e lembranças dos que tiveram a honra de conviver com.
Janeiro foi um mês de perdas. Graves perdas. Grandes perdas. Ao mesmo que, Janeiro também foi um mês de reconciliação e reparação com o passado. Os anos se foram. O passado assumiu seu lugar; “passado”. Meu caro amigo Walter, que descanse em paz.
Me é impossível deixar de pensar que nada mais somos do que o fruto por amadurecer de situações ou sentimentos baseados no equívoco, e tal é responsável pela eterna sensação ambígua de que vivemos uma espécie de realidade absolutamente irreal. Somos nada mais do que sonhos surrealistas encarnados. Confusos. Malucos. Etéreos. Nonsense.
Por mais que procuremos analisar de maneira sincera, é humanamente impossível distinguir de maneira clara os contornos de nossas emoções. A fundamentação reside no fato de que todos, em maior ou menor grau, apresentam uma incapacidade estrutural de comunicarem-se entre si bem como comunicarem consigo mesmos. Todos vivemos sós no mundo - seja este interior ou exterior – no qual os “outros” são meras sombras. Nos falta; não importando se somos jovens, velhos, cínicos ou idealistas; uma exata noção de identificação que transforma a passionalidade em coisa amada. Enquanto isso, os objetos de nossos amores são apenas isso: Objetos. Traduzindo, todos somos absolutamente egocêntricos e egoístas. E, igualmente ignorantes do fato. Todos optamos pela aparência, e não a realidade. E sendo assim, a realidade não representa nada para ninguém. Absolutamente nada. A “vida”; está em outro lugar que não aqui...
Claro, irão me criticar por dizê-lo. Mas afinal, como viver o “nós”; sem sermos obrigados a sairmos do que é verossímil? Como viver sem sermos meros joguetes de uma espécie de deliro ativo da paixão? Em outros termos, como viver sem ser louco?
Não tenho mais interesse no que pensam ou deixam de pensar a respeito dos meus próprios pensamentos. Não tenho mais interesse no mundo que me rodeia quando em essência; a base de todos os meus questionamentos é de ordem metafísica - longe de estarem calcados no que é real ou irreal. Não tenho mais interesse no exterior.
Minhas respostas residem no onírico. Em outros planos. Nas vibrações. Na freqüência. Nos pulsos. Em melodias. Nuances. Porquê me soa correto pensar que o externo é definido por uma enorme paleta de acordes internos; em resposta ao próprio meio externo.
Portanto; é pela experiência; pelo prazer, pelo deleite e um certo “q” de hedonismo, que prefiro assumir a face do abismo. É nesta espécie de “des”correção do espírito que hoje percebo que o passado me colocou aí; com o futuro escancarado e vivendo de tudo um pouco... Obrigado.
Sou o que sou. Da minha vida, trabalho em queda livre o observar silenciosamente as máscaras deste mundo. De vez em quando tomo certas liberdades e anotações que me fazem sentido: vide algumas masturbações mentais espalhadas por este blog. E é pela queda que entendo que se dá o renascimento. O “acordar” de uma vida trivializada, negada e escravizada ao ego socialmente imposto. E, é pela queda que encontramos a possibilidade de nos dissolvermos – e porquê não? – sermos absorvidos pela misteriosa matriz de sentimentos que se encontra ao nosso redor; no entanto, apenas acessível apenas a quem de fato deseja.
O curioso? É a bizarra constatação de que entre tantas perdas e alguns esparsos ganhos; constantemente vivenciados com ares de uma doce profanação social; embora solitário, eu me encontro melancolicamente feliz...
O cello é um instrumento da família das cordas friccionadas por arcos. Ou simplesmente da família dos arcos. De registro médio, deveria ter um diálogo constante e harmonioso com os outros membros de sua família. Deveria ser o irmão do meio, entre o agudo lamento do pequeno violino e alguma intimidade com sua irmã mais próxima em sonoridade, a viola, e alguma distância mínima, amenizada pela sua modéstia e habitual discrição, com relação ao pesado, às vezes triste, às vezes cômico, irmão maior, o contrabaixo. Vemos que a família parece funcionar perfeitamente nos quartetos e quintetos, mas de fato eles mantém uma norma polida, social, dos bons costumes de apresentação familiar. Eles estão sempre dialogando nestas peças, mas existe um conflito inerente. Uma disputa entre os violinos, a viola até que tenta ser mais participativa, e o cello se resigna à sua fina posição de apoio, discreto, leal, delicado, tranquilo, sem tentar se exibir para os outros, como fazem normalmente os violinos. Apenas aceitando seu papel. De qualquer forma, é uma reunião com algumas farpas esvoaçando e sem profunda intimidade.
Principalmente entre cello e violino. Existe uma clara contradição, disfarçada pelo fato de que o violino, em sua tagarelice e exibicionismo naturais, não se sente ameaçado pela madura fala do cello, íntimo e reflexivo. Eles são tão distintos que não pode haver uma guerra. Eles conversam. Mas nunca haveria um romance entre eles, um amor real, uma conversa que concluísse em compreensão mútua, em um entrando no coração do outro. É impossível. Um desliza respeitosamente sobre o outro, mantendo seus corações separados.
Curiosamente o mesmo não acontece quando o cello encontra o solitário piano. Aparentemente o piano consegue, na sua majestade e amplitude de alma, encontrar qualquer instrumento, apoiá-lo, dialogar, sem deixar de brilhar. O encontro com o violoncelo não seria diferente. Mas na minha opinião, para conversar com o cello, não pode haver interlocutor mais amoroso e íntimo do que o piano. Eles são almas gêmeas. O espírito de intimidade e delicadeza entre os dois consegue sua máxima manifestação. A natureza marinha, ampla, larga, profunda e brilhante do piano encontra seu reflexo na melancolia moderada e sombria, sem lamentos excessivos, mas de grande alcance, do violoncelo. Eles não só conversam. Eles oram. Eles compõem um poema.
Aqui a demonstração não valeu, podem dizer, porque a música é na sua estrutura lenta e delicada. Muito simples. Pois então vejamos como os amigos se saem num campo de batalha (Shostakovitch Cello Sonata). Sempre unidos. Nunca uma sombra de traição.
É um casamento mais do que perfeito. Intrigante, entretanto. É possível vê-los à vontade, à beira-mar, ou numa noite de lua, tranquilos, mesmo que a angústia mostre sua face sinistra na última janela da torre, na Phantasiestücke de Schumann.
Por isso, antes de me apaixonar pelo cello, sempre sonhava em ser pianista. Estava na minha natureza. Estou sendo levada para outro caminho, mas são afluentes do mesmo grande rio.
Obs: Esta postagem também se encontra em http://sibilante.wordpress.com. Sua visita lá também será benvinda.
05:35 A.M. – Ô madrugada de insônia sem vergonha...
Bom, faltam apenas 18 horas e 25 minutos para que 2009 se vá. E, já vai tarde diga-se de passagem. Não que este ano tenha sido de todo ruim; longe disso. Embora um ano de várias descobertas principalmente no aspecto do auto-conhecimento, definitivamente em um balanço final este foi um ano tedioso. Em vários aspectos. Aliás, em praticamente todos, acho que não se salvou um misero detalhe que tenha me deixado empolgado para valer. Aliás, um – breve interesse em uma garota que conheço já há algum tempo, e que aparentemente, calmamente começa a brotar uma pequena muda... Bom, 2010 já está aí; o que reserva o próximo ano nesse aspecto...? Olho adiante com uma certa curiosidade...
(Pausa para preparar o café das 05:45 A.M.)
Café e um charuto. Que coisa, não é hábito meu fumar charutos. Ocorre que há tempos mantenho uma pequena caixinha guardada nos cantos mais obscuros do meu armário; e de tempos em tempos dependendo da ocasião, gosto de acender um como em uma espécie de ritual. E, como as 6:02 A.M. ainda não é um horário propício para abrir a tal garrafa de Torre Bermeja (Um 2007 Tinto Espanhol; 60% Cabernet Sauvignon, 20% Merlot e 20% Garnacha), ataco de café Gourmet.
De fundo, me delicio com as arcadas suaves de Anja Lechner em seu Cello acompanhando pelo bem marcado pianista Vassilis Tsabropoulos – Algo que em breve preciso resenhar por aqui – em sua melancólica mas redentora “In Memory”.
Memórias. No final, a maior riqueza que podemos carregar conosco sempre serão as tais memórias. Elas contam a nossa história. Elas nos dão nossos referenciais. E elas, em nossos momentos mais lúgrubes, permitem entender que embora vivemos sonhos e expectativas artificiais relacionados ao futuro; existe toda uma rica experiência humana que nos trouxe até onde nos encontramos hoje. Me é doce permitir que meus pensamentos vagueiem pela terra das lembranças que um dia foram o meu “hoje”; e divagar em tais sonhos dos eternos “será que..?” relacionados ao amanhã. Afinal, é isso que nos torna humanos. Sobre isso, não posso pensar em mais nada que não sejam tais palavras que ouso dedilhar.
Tenho uma dezena de textos manuscritos em alguns cadernos espalhados pelo meu quarto. Eles compõe semi-idéias de livros que um dia eu gostaria de escrever. “O que é uma semi-idéia?”; você pode perguntar.
- Bem, costumo defini-los como um dos meus desconexos e incompletos pensamentos que eu geralmente tenho. Meras divagações existenciais; exceto quando contextualizadas no conceito de um livro.
Me lembro que um dos meus hobbys prediletos até cerca de dois anos atrás, era pegar um destes cadernos, uma caneta; sentar em algum bar mais ou menos legal pelos arredores da Avenida Paulista, pedir alguma cerveja refinada, e me desatar a escrever, perdido em meu próprio mundo.
Idéias genéricas acerca de vários assuntos bem como personagens fictícios baseados em pessoas que fizeram parte de minha vida costumam pular para fora de minha cabeça e ganhar vida através de minha caneta. Dependendo do grau de subjetividade que me encontro, as vezes consigo me expressar melhor através da arte abstrata; seja grafite em papel ou seja em tinta a óleo sobre tela. E quando a coisa vai mais além; as melodias do meu Cello costumam ser minha melhor forma de expressão.
Invariavelmente, nestas; sou arrastado para um turbilhão de pensamentos nostálgicos relacionado às pessoas que fizeram parte de minha vida no passado. Dez, Quinze anos atrás. Talvez mais. Por onde andarão tais pessoas? Um enorme carinho pela Patrícia, a qual pisei na bola de maneira indescritível. Saudades da Roberta, e todo o período anterior aos meus dezenove, ou dezoito anos. Uma certa mágoa da Fabiana, aquela “Indaiatubense” – Ou seria “Indaiatubanda” – tratante que nunca se deu ao trabalho de aparecer em minha casa, no Interior de São Paulo (Mas esta; a mágoa é suplantada pelo bem querer e sincero carinho quase fraterno.)
Uma necessidade imensa de tentar entender o que raios aconteceu entre os anos de 2006 e 2007. Saudade irreal; pois sei que tal saudade se refere apenas a uma sombra; um mero eco do passado.
Às vezes me pego divagando em uma noite regada a muito whisky no bairro da Liberdade em São Paulo, sobre algo que poderia ter sido, mas nunca foi. Me pergunto quais paisagens a Amaranta hoje, tem olhos para? Amaranta; nome derivado da flor “Amaranto”; simboliza a imortalidade ou a vida eterna. Também conhecida como “Sempre Viva”.
E a Bárbara, por onde andas...? Uma carreira brilhante lhe é destinada. Fui cativado, embora jamais tenha ousado mencionar. Ela tinha o dom de transformar um simples arco, em uma fonte insuperável de beleza e suavidade aos ouvidos. Tornava minhas tardes em momentos mais tenros e delicados, logo mal-acostumados. E porquê não; até viciados? Era impossível não ser cativado de maneira arrebatadora, pela sonoridade de sua alma expressando-se através de seu Cello, embaladas por suas tão suaves mãos, em perfeito domínio de tão poderoso arco...
Outras amizades entendo que já cumpriram seus papéis para não mais retornarem. Afinal, Eu sou, serei, seremos nós sós em um novelo que sempre tende a se desmanchar.
Enfim, velhos amores, velhas paixões e mais velhas ainda amizades...
06:31; mais uma xícara de café.
Emenda; “Simplicity” - Anja Lechner está estupenda neste trabalho. Sua sutileza, sensibilidade e simplicidade me cativam.
Bom. A essência do Vinho & Cigarros é algo bastante mais profundo do que apenas a música. É a música que nos move. É a música que nos guia. Amores perdidos, Paixões as vezes não correspondidas. Vida é sofrimento. Mas também é festa. Experiências. E um dia, a morte ligara o que foi desligado quando aqui chegamos. Pois a essência da alma infelizmente, estamos cegos para enxergar em sua totalidade.
- Mas não são palavras relacionadas a mazelas, muito pelo contrário. Se o fato de estarmos em “seres vivos”, não dependemos de alguma graça. Muito pelo contrário, a “graça” está nos momentos. E destes, embora admito, houve vários equívocos; sei que tudo tende a se desmanchar em acordes; e acordado, dormimos profundamente em sonhos.
Bom, um dia ordenarei todas estas idéias aparentemente tão desconexas, e transformarei-as em um livro... Tantos temas me vem a mente – sim, síndrome pré Reveillon. Música. Jornalismo. Jornalismo Musical. Depressão Pós Universidade. Depressão pré e pós trinta. Imaginação e Poesia. Pessoas que há muito já se foram (Mas que sei que estão por aí). A inocência em se estar apaixonado.
Não quero pensar que digito tais palavras sentado em uma cadeira, em frente a um reles PC. Mas sim, penso que agora me esbaldo nos versos; nas ligeiras imagens que compõe a minha vida involuntária.
Bem... Eis aí em cima um breve relato – bastante fiel até - de como costuma funcionar as diversas linhas de raciocínio as quais não costumo me entregar; antes, seria mais correto afirmar “ser arrastado por”. Remôo e remôo tais coisas a ponto de que às vezes, eu posso até parecer produtivo; em termos criativos.
Esta é a grande mentira da minha vida: - Em um balanço em termos práticos; eu não tenho nada de concreto a mostrar.
Há muito já; eu fui tomado pelo amor pelo trágico. Costumo ser assombrado pela nostalgia. E às vezes, me sinto arruinado pelas comparações.. Sofro pela falta de várias coisas que nunca foram. Sendo assim, o que me resta a não ser desejar mais do que tudo, estar vivendo uma vida que um dia, valha a pena escrever sobre...?
É. Eu tenho problemas, admito.
...assim como todo mundo, de qualquer modo.
Sério. Eu realmente quero escrever tal livro e publicá-lo. Eu não ligo se ninguém lê-lo ou sequer notá-lo. Apenas quero fazê-lo para ter algo legal que eu possa assinar embaixo. Sequer tenho a pretensão de colocar em meu currículo algo do tipo “livros publicados”.
07:33 A.M.
Último Café; E a e melancólica e sintomática “Año nuevo”, por Beata Söderberg.
Assim concluo o último Post de 2009; com ares de certa esquizofrenia “Eu-tenho-que-atualizar-o-Vinho&Cigarros-com-seja-lá-o-que-raios-significa-este-texto-e-provavelmente-só-fara-sentido-para-mim”....
Que ando tomado por uma nostalgia trágica nestes ultimos tempos, sequer preciso mencionar. Ando fugindo de alguns fantasmas do passado que nada mais fazem do que me ancorar a fatos, lugares e pessoas que não mais existem.
- Façam uma experiência: Visitem a escola aonde "cursaram" o primario. De antemão já lhes adianto que a primeira impressão vai ser de que você imaginava que sua classe era um lugar bem maior.
- Assim, se a vida se apresentasse como um imenso novelo de lã; ao término de seu desenrolar - passando por todos os nós; isto é, os "fatos" que teimam em lhe incomodar; perceberia que nossa vida e vivências são de caráter individual. Os "nós" existem, mas na melhor das hipóteses, são nossos e apenas nossos. É por isso que, não perderia meu tempo entrando em contato com minha antiga vizinha que se mudou para Inglaterrra quando adolescente; para tomar um café. Não preciso de pontos de vista monocromaticos acerca dos porquês de nossas vidas, quando em essência; em se tratando de relações humanas funciono de maneira policromática.
Nestes momentos, meu refúgio é obviamente a música e a literatura do melhor quilate. E rebatendo logo de cara certa crítica que lí perdida por aí; definitivamente prefiro Kundera no balanço perfeito entre "ser" escritor e "ser" filósofo. E acrescento ainda o "ser" musicista.
Dizem que Milan Kundera e seu "A Insustentável Leveza do Ser" foi escrito para pessoas aborrecidas, por alguém que estava aborrecido. Bom, seguindo esta lógica sequer quero imaginar em que estava pensando a tal Stephenie "Shakespeare" Meyer ao escrever sua famigerada obra "Crepúsculo".
O senso policromático que permeia todo "A Insustentável Leveza do Ser" possui uma fantástica simbiose entre o niilismo Nietzscheano, em que hora nos arrebata para uma tragicidade misteriosamente leve cujos destinos de Tomas, Tereza, Sabina e Franz estão selados, e hora nos passa a impressão de um diálogo com o próprio Nietzsche em uma esfera onírica. E, em se tratando de sonhos, existe melhor palco do que a Primavera de Praga, momentos antes da invasão Soviética?
Neste palco é explorado de uma maneira elegantemente comovente e triste; temas que possivelmente nas mãos de outro escritor de menor habilidade seria um verdadeiro massacre a paciência. Niilismo, o Mito do Eterno Retorno, a perda de sí mesmo e o principal deles; a contradição entre o "peso" e a "leveza" do ser.
E para nós, fissurados em boa música; a tônica do romance também tem seu pé calcado no famoso "Es muss sein", um dos motivos do quarteto de cordas nº 16 de Beethoven.
Milan Kundera é um autor que domina a arte de contar histórias com maestria impar. Ao mesmo tempo, é um filósofo intrigante. Embora tenha sido a primeira vez que li tal livro; sei que não será a ultima. E bem sei que; por tras de toda a dialética Nietzscheana presente em sua obra, Karenin está a sorrir por todos nós.