sábado, 6 de novembro de 2010

Violinos, Cello, Rock Pt. 25 - "The Pax Cecilia - Blessed Are The Bonds"



Em momentos de nítida iluminação e deslumbramento existencial, é impossível não deixar de falar um pouco sobre música, já que este que vos escreve não vive apenas de sonhos e “A Feiticeira” do Michelet enfiado debaixo do braço.

É preciso ir além, e uma boa trilha sonora ajuda e muito!

Portanto, deixa eu dar um “up” aqui em termos musicais, já que ando nessa vibe bizarramente boa.

Companhia constante em meu I”Steve”Pod, ando me chafurdando nos trabalhos de um grupo Independente chamado de “The Pax Cecilia” - Ah-rá!.

Sinceramente não faço ideia de que buraco chamado Henrietta no Estado de NY surgiram estes caras, e tampouco conseguiria arriscar a dizer qual o tipo de música que praticam. Ambient? Landscape? Eletro-acoustic? Art-Rock? Progressive Metal? Não tem como, é impossível! Até mesmo porquê a grosso modo, executam exatamente todos os gêneros mencionados aí em cima; com uma maestria e desenvoltura ímpar!

Blessed are the Bonds”, aparentemente é um daqueles trabalhos que a cada audição, nos faz perceber todo um leque de pequenos detalhes que passaram despercebidos anteriormente, e nos fazem apertar com insistência o maldito “rew” para escutarmos novamente determinadas passagens e absorver outras – diga-se de passagem, coisa que já fiz novamente aqui no meu note enquanto escrevo estas linhas.

Possuem uma característica interessantíssima, a multiplicidade de camadas sonoras diferentes, todas esquisitas, todas aparentemente desconexas, mas que no conjunto da obra fazem todo o sentido do mundo. Ora, múltiplas camadas de percussão - a boa e velha bateria em alguns andamentos quebrados do prog – extremamente acessíveis, riffs de guitarra animalmente escabrosos, baixos bem marcados, a força melódica de um terceto de cordas dando a característica tecitura sonora delicada que bandas que apelam para este recurso costuma apresentar, bem como linhas delicadíssimas de Piano solo acompanhado pelo Cello solo.

Um daqueles trabalhos que é basicamente impossível compreender em uma única audição. É preciso de umas dez. E já adianto, a cada uma, tornará-te mais fissurado no conjunto.

A construção da arquitetura sonora começa pela música “The Tragedy”, delicadamente assentando os alicerces do que será o álbum, em um piano elegantemente acompanhado por um Cello solo e após vários minutos, o resto da sessão de cordas da banda, incluindo o baixo e a bateria; assentando assim mais uma camada para toda a estrutura. Os vocais, logo flutuam para dentro e para fora; remetendo aos poucos a ideia da progressão sonora que compõe este trabalho.

And in songs like this one / they all blend together / seeking out others like themselves...”

Em uma audição contínua, percebe-se que as primeiras impressões poéticas em termos da estética sonora criada pelo “The Pax Cecilia” não condizem – embora perfeitamente integrada ao corpo musical – com o que se tornará a obra completa. Percebe-se logo que tudo caminha e transmuta para uma aceleração musical que a palavra “surreal” não faz juz.

Paralelamente ao piano que desce a tons mais densos e tensos, os vocais lentamente passam de gentis e suaves, para um tipo frustrado, furioso; cada um deles em contraponto, dando o balanço geral. Novamente, este detalhe se integra na estruturação geral do trabalho dos caras, sem soar descabido e adicionando uma certa aura de fúria poderosa – porém belíssima no sentido macro da proposta da banda. (Aliás, qual seria tal proposta? Se alguém descobrir favor me avisar em um comment, please.. ;)

Épico!

Um detalhe interessante nestes caras, é uma certa aura de filme noir em uma bizarra mistura com algo as vezes progressivo, as vezes jazzeado, e muitas vezes; distorcendo totalmente a paleta sonora que vinham utilizando até trinta segundos atrás. Uma verdadeira salada gourmet com toda a pinta de um prato que irá encher o estômago para um dia de trabalho pesado. Não estão satisfeitos? O que dizer então quando a coisa toda descamba para uma espécie de mistura de heavy metal, com piradas de uma espécie de metal core, e ainda amparado – e contrastado – com o Piano e o terceto de cordas, em uma explosão de raiva, melodias belíssimas e um pouco além, vai para o Landscape total? Sério, de uma maneira surreal a orientação musical envereda para uma espécie de música ambiente, com sérias tendências a melhor fase de Brian Eno. Mas se a esta altura já capturou – se é que é possível isso – a essência da banda, sabe que logo virá outro crescendo, mas permanece o mistério: O que virá agora...?

Lí em algum lugar que não me recordo agora que a melhor maneira de descrever a música do “The Pax Cecilia” seria imaginar o “Godspeed You! Black Emperor” tendo um revertério criativo, contratado um vocalista extremamente competente e decidido enveredar para o Prog. Heavy Metal, mas mantendo todas as características que fazem o Godspeed You! ser o que são.

Eu gostaria de classificar esta banda em alguma categoria musical mas eu simplesmente não consigo! Acho que é aceitável algumas comparações com a “Hey Rosetta!” (Já falei desta banda aqui?) já que ambas tem lá seu pé calcado no heavy metal mesmo que “em Passant”. Mas, algo não bate pois de certo modo toda a abordagem musical é diferente. Talvez seja de fato o piano.

No entanto, sei disso: “The Pax Cecilia” e seu “Blessed are the Bonds” é uma das poucas obras de arte que transcende uma definição, e transformam um punhado de notas musicais em uma força musical que irá sempre revelar algo novo a cada audição fazendo os soar novos belos, ameaçadores e refrescantemente novos.

Para um álbum que irá custar-lhes apenas 1 horinha de audição, não é nada mais e nada menos do que uma pequena obra prima.


Link: "The Pax Cecilia - Blessed are the Bonds"

4 comentários:

Sigurd disse...

hmm, taí uma boa banda pra procurar no YouTube, bom post :)
Procura Haggard, eles são conhecidos como orquestra do metal, vale a pena!

Cecil disse...

Gostei do nome.

A Santa dos adoradores de sons... do qual meu avô trumpetista era devoto, fato esse responsável pelo meu nome.:)

Um motivo a mais para eu procurar ouvir esses caras aí. :)

beijos

ahmschultz disse...

Estou procurando cellista para trabalho serio de rock acústico

Abração

Alexandre

Feeh disse...

Nossa, é algo completamente diferente de tudo que já ouvi... é incrível