quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Deusa Ishtar, 2.000 A.C...

Ishtar (também grafado como Istar) é o nome de uma das mais importantes deusas da mitologia mesopotâmica, deusa do amor, da fecundidade, dos nascimentos, dos combates e da cura. Ann-Déborah Lévy assim a descreve: "O caráter da deusa babilónica Istar resulta da fusão de duas divindades mais antigas: Inana, Deusa-Terra e Deusa-Mãe sumeriana, e Istar, de que ela conservou o nome, deusa semítica dos combates e da estrela da manhã".

As origens da Deusa Ishtar se estendem a um período antedeluviano, sendo mencionada na “Epopéia de Gilgamesh”, suposto rei mortal que governou a cidade estado de Uruk, que em estimativas situa-se logo após o período pré-histórico, mais precisamente em algum período do primeiro século do XXI milênio A.C.

A “Epopéia de Gilgamesh” é o primeiro registro humano escrito que se tem conhecimento, sendo que os mesmos foram esculpidos em tábuas de argila e encontrados nas escavações arqueológicas junto aos restos do palácio de Nínive. E as mesmas só puderam ser traduzidas do cuneiforme, com a descoberta da “Inscrição de Dario”, encontrada na rocha de Behistun, perto de Kermanshah, na Pérsia, escrita em caracteres cuneiformes em três línguas – o persa, o babilônico e o elamita arcaicos.

Muitos paralelos costumam ser traçados entre a Deusa Ishtar e suas sucessoras em outras culturas mais recentes, como Afrodite; Deusa grega da beleza e da paixão carnal, ou ainda Vênus. No entanto, apesar das qualidades demonstradas por Afrodite e Vênus serem o amor e a beleza; Ishtar apresenta um lado mais sombrio, portanto mais condizente com a realidade. Ela era a rainha do céu, e como Deusa do amor e da guerra, era uma personagem ambígua, portanto; de caráter mais humano. Quem não se lembra de Helena de Tróia, rosto cuja beleza fez milhares de navios lançarem-se ao mar para a guerra de Tróia?

Dotada desta ambigüidade, Ishtar era sem duvida uma Deusa bela e terrível. Sua beleza fica clara em um hino composto em 1600 A.C.; “Reverenciai a rainha das mulheres, a maior entre todos os Deuses; o amor e o deleite revestem seu corpo; ela esta cheia de ardor, encanto e voluptuosa alegria; seus lábios são doces, sua boca é a vida, a felicidade atinge seu auge quando ela esta presente; que visão gloriosa! Os véus cobrindo seu rosto, suas graciosas formas, seus olhos cheios de brilho”. Esta é a radiante deusa do amor em sua primeira aparição à Gilgamesh, mas ela logo se transforma e assume uma face mais familiar, o da “Senhora das dores e das batalhas”.

É a este seu caráter que lhe foi dirigido um hino da Babilônia: “Oh estrela da lamentação; fazeis com que o irmãos na paz se ponham em luta uns contra os outros e, no entanto, inspirais uma amizade leal e perseverante. Oh, poderosa, senhora das batalhas, que derruba montanhas.”

Em uma análise mais aprofundada, podemos compreender aonde se encaixa o arquétipo na psique dos seres humanos desta bela e terrível deusa, traçando-se um paralelo entre a existência física de certas mulheres e o aparente poder hipnótico e sedução que as mesmas possuem, que sintetizam bem o caráter da Deusa Ishtar como a personificação da complexidade feminina: A dança e sensualidade.

Hoje em dia as verdadeiras dançarinas da alma, principalmente as que se utilizam das culturas oriundas do antigo oriente médio são as que praticam a dança do ventre.

Dentre os muitos episódios do mito de Ishtar, um é particularmente relacionado à dança: a história da descida de Ishtar ao mundo dos mortos. A deusa empreende esta jornada em busca de Tammuz, seu amado, que havia morrido em um moinho de grãos. No mundo dos mortos, Ishtar é obrigada a atravessar sete portais e a deixar, em cada um deles, um ornamento ou peça de sua vestimenta. Enquanto a deusa se encontra no mundo dos mortos, a vida fenece sobre a terra - é a estação de estiagem, quando a vegetação seca e os rios se esvaziam.

Quando Ishtar ressurge dos abismos, a vida renasce na terra, os campos se cobrem de relva verde e nos rios volta a correr água abundante. A dança dos sete véus é por vezes associada a essa passagem da mitologia de Ishtar, sendo esta uma da mais famosos, belos e misteriosos ritos primitivos.

Esta dança não era praticada em ritos de fecundação como muitos acreditam; mas pelas sacerdotisas dentro dos templos da Deusa Egípcia Ísis; posterior à Ishtar mas com clara influencia cultural da mesma. A sacerdotisa oferecia a dança para a Deusa que dentro dela existe, e lhe da beleza e força.

Essa dança era realizada em homenagem aos mortos. As sacerdotisas, em seus templos, retiravam não só os véus, mas todos os adereços sobre o seu corpo, para simbolizar a sua entrada ao mundo dos mortos sem apego a bens materiais – neste caso, em uma clara analogia à Ishtar.

Determinada, Ishtar atravessou os sete portais do submundo, e em cada portal deixou um de seus pertences: um véu ou uma jóia (cada um deles representando um de seus sete atributos: beleza, amor, saúde, fertilidade, poder, magia e o domínio sobre as estações do ano). O véu representaria o o que ocultamos dos outros e de nós mesmos. Ao deixar os véus Ishtar revela sua verdade e consegue unir-se a Tamuz.

Mais tarde passou a simbolizar as sete cores do arco-íris, os sete planetas conhecidos na época (que estão representados na dança como possuidores de qualidades e defeitos que influenciam o temperamento das pessoas) e os sete chackras (pontos energéticos do corpo humano). Com isso, a dança passou a ser realizada por bailarinas, que limitavam-se a retirar os véus. A retirada e o cair de cada véu , significam o abrir dos olhos, o cair da venda, que desperta a consciência da mulher bem como a evolução espiritual.

Muitos mitos se dizem a respeito das Deusas Ishtar, Isis, Vênus, Afrodite entre tantas outras...

...entretanto, cabe ressaltar que, falando-se de dança do ventre, não existe verdade e nem tãopouco mentira absoluta.

Um comentário:

AnA disse...

Dança do ventre...Mais que perfeita, a dança da alma...

Um resumo de mim...

Roxo, Vida e morte... (NILI)
Borboleta, renascendo para o novo (FARASH)
dança do ventre... a dança que nos remete a vida, ao êxtase e a morte.

As repetições de movimentos do universo e a energia pulsante e vital do planeta!

Ainda não conhecia a primeira história da dança dos sete véus...

Perfeito!

NILI FARASH (Ana + do Que Nunca!)