domingo, 1 de março de 2009

Apontamentos de um Sábado à noite - Somos amargos... Com orgulho!




Eu queria escrever algo sobre ontem à noite.


Queria escrever algo sobre o aniversário de um amigo jornalista. Claro, não sobre ele; mas sobre ter conhecido uma garota interessante. Baixinha. Cabelos pretos, trejeitos mais ou menos tímidos. Pianista. Mais ou menos escritora.


Idealista. Jeito cativante. Coisas que às vezes, fazem valer nossa noite. Fiquei encantado, sinceramente.


Não a conheci direito para dizer a verdade. Do pouco que conheci, fiquei com aquela sensação bem lá no fundo; de que ela não foi muito com minha cara. Mas como diz a Gabe lá no MIT em Boston, “That’s fine”.


Após a reuniãozinha, fomos parar em um posto de gasolina para tomar uma cerveja. Uma das bizarrias que apenas uma cidade pequena pode lhe proporcionar. Ela, Toddynho. Realmente, cativante.


Junto estava um cara que já tinha cruzado antes de outras desventuras noturnas. Também jornalista. Aprendi que para não passar do ponto, é legal alternar entre cerveja e algo não alcoólico. Então obviamente não passei do ponto.


A conversa final na qual sobraram apenas eu, este cara e outra garota, foi algo estranho, aquela sensação de “deja-vu”. Quero dizer; já tive muitas destas. A famosa divagação alcoolizada e de fala pastosa, sobre o que as mulheres esperam de um cara. Existe um certo amargor em tais palavras.


Às vezes costumo interpretar tal jeito de ser como uma espécie de neo romantismo. Estas questões, a atitude, o estado de espírito. Não deixa de ser uma extensão em uma ultima análise, da visão de mundo centrada no indivíduo. Aos “culturados”, quem não se lembra do retrato dos dramas humanos, amores trágicos e ideais utópicos, bem como desejos de escapismo? Todos morreram jovens e solitários.


Vivemos em uma sociedade de imagem. Uma sociedade de espetáculo, como bem definiu Guy Debord. A sociedade do “objetivo” – e a execração do “subjetivo”. Isto explica muita coisa.

Quando me coloco nestas relações interpessoais cuja base é o plano objetivo; mas a análise pessoal se dá dentro do plano subjetivo; as coisas tendem a se tornar confusas.


Não existe uma maneira de tentar se fazer compreendido quando o assunto envereda para o encanto que você sente quando conhece uma pessoa interessante. Faço um paralelo com o que mais me toca; a música. Ela, tem o poder de ir direto mesmo em mim. Uma bela melodia muitas vezes simplesmente atravessa todas as barreiras que custo a manter de pé. É como se de repente eu fosse pego em uma onda e tomasse aquele caldo, sabe? Coisa de se afogar.


Mas é engraçado porquê não vejo isso como uma coisa ruim. Ontem a noite, li em um livro o seguinte:


"(...) quando se chamava Lori Jones, Amiri Baraka escreveu que arte é qualquer coisa que faça você sentir orgulho de ser humano. É uma grande definição de arte e também do impulso religioso, que, no fim das contas, não passa do impulso artistico com um figurino diferente: o desejo de dizer ou ver algo que nos convença de que temos importância, de que nossas vidas breves e confusas têm sentido, direção e vetor definido, apesar de sua confusão e breviedade.Arte não é "criar ordem a partir do caos". Isso é problema de deus, seja ele/ela quem for. Arte, é o sonho da ordem a partir dos sentidos do caos: a tacada perfeita na bola oito, a pedra talhada que se parece com o Deus Apolo, Charlie Parker improvisando em "How High the Moon" ou Fred Astaire simplesmente cruzando uma sala."


É aí que está.

Quando sou pego por essa sensação de arrebatamento – mais comumente por músicas, mas isso também ocorre com visuais e - pessoas, como foi o caso ontem – eu me sinto vivo. E me sinto meio que conectado com uma coisa sagrada, é como se eu entendesse – lógico, subjetivamente, não dá para colocar em palavras – todos os “porquês” que me perseguem por aí. É o maior barato, nessas horas não sinto o vazio; e as coisas voltam a fazer sentido; mesmo que este seja frágil e temporário.


Eu não consigo imaginar como é viver uma vida calcada em decisõ

es puramente racionais. Não posso escolher a hora em que irei me emocionar, ou como abrir ou fechar este canal como se fosse um transistor.


...e na verdade nem sei se gostaria disto, de qualquer forma.


Não querendo apelar para clichês mas não consigo deixar de pensar em uma frase que a Cate Blanchet usou em um filme; “eu prefiro sentir demais a não sentir”, ou coisa do tipo. Mas, me faz sentido.


Toda a zona que impera em nós de vez em quando, essa confusão, a tormenta toda, não é só por isso, acho que tem algo a mais. Não sei dizer o que é, claro. Mas é inegável sim, o “não saber administrar” e “não estar preparado”, estes, fazem parte sim da equação toda.


Se eu analisar bem mesmo, eu até posso afirmar que eu gosto bastante desse plano mais subjetivo das coisas. Isso porquê embora me traga uma série de dificuldades dentro da esfera das relações humanas; é como se eu conseguisse sacar o porque de um monte de coisas e atitudes, principalmente entre as pessoas – o que não significa que eu consiga interagir de acordo com estes insights claro. É aí que a coisa toda se torna um pouquinho frustrante, e talvez seria a hora ideal de dar uma desligada no subjetivo e entrar no modo 100% racional.


Eu li outro dia a respeitodo que é o conceito popular hoje em dia de “normalidade” perante a sociedade. Sabe quando parece que faz um “plim” e cai uma moeda? Pois é. Era mais ou menos o seguinte; o que diz se você é mais ou menos normal, é a sua própria aceitação da realidade que te rodeia. Assim sendo, quanto mais você é conivente e aceita o mundo como ele é, mais normal você é; e quanto menos você aceita a realidade e se revolta, mais anormal você é perante a sociedade.


Mas é estranho.


Não aceitar algumas coisas do mundo; como por exemplo as filhadaputices que existem por aí, as injustiças, as sacanagens, te transformam em uma pessoa anormal? Aí, eu não consigo deixar de pensar que está tão na cara que o que vivemos como “real” hoje, é uma puta de uma inversão total de valores. E em uma análise mais profunda, vemos as fissuras que existem dentro de todos os discursos que regem o comportamental interpessoal.



Aí, você fica com aquela impressão que você sabe de uma coisa que mais ninguém sabe, ou na verdade ninguém está nem aí para. Muito estranho isso. Vivemos uma realidade cuja auto-sustentação é impossível, e o colapso, de fato é iminente.


Aí me pego orgulhoso quanto a minha interpretação da realidade em um plano subjetivo, mas ao mesmo tempo me pego também frustrado e de saco cheio de enxergar tudo isso. Acho que é uma outra interpretação para a tal manjada frase “a ignorância é uma dádiva”.


Mas no final; vamos ficando mais velhos... Com trinta anos hoje, loucuras à parte; não acredito que eu venha de fato a mudar esta minh

a noção de mundo, e como disse ali em cima; talvez eu nem queira mesmo.

Mas só me sinto triste porquê no final, são poucas as pessoas que conseguem ter uma noção mais ou menos próxima para as coisas que quero dizer, quando vão “além” do que vivemos aqui.


Mudanças são boas. Só tenho minhas dúvidas até que ponto no final das contas, eu me permito tais mudanças.

Enfim...


A tal garota, foi um devaneio interessante...


Só por hoje, continuo seguindo sozinho.







Um comentário:

Raquel disse...

nossa, esse seu texto foi algo q penso q deveria ser impresso pra eu carregar na minha bolsa, mas soh pq eu mesma nao tenhop meios pra divulga-lo hahah
tem varios trechos q eu colaria aqui de ter lido e sentido varios alivios!!!!!!
vc disse tudo!
aquilo sobre a arte ser vermos o orgulho de sermos seres humanos eh muito real!! eu tb sempre preencho os meus vazios com coisas bonitas q fizeram! e sinto muito orgulho mesmo, eh a palavra!!
olha, sei la, eu podia escrever mto do q pensei enquanto lia, mas vou fazer como uma obra de arte, pq fiquei tao preenchida q ate noh na garganta deu pq quer transbordar sabe!
vou ter q ficar na admiracao e lembranca do q li e acho mesmo q vou imprimir!!!!
bj