domingo, 11 de janeiro de 2009

Beata Söderberg - O charmoso Descaso do Tango Sueco...




Me questiono o que leva esta Cellista Sueca a tocar lindas linhas de Cello, construindo com suas melodias, um Tango para Argentinos verem?


Se não, vejamos:


Suécia. Mulher. Cello. Tango. Beleza. Excelência.


Tudo isto – e muito mais – se reúne na pessoa de Beata Söderberg.


Este disco me fez lembrar de algumas coisas importantes para mim, ainda mais passando por este momento de intenso desânimo em minha vida. Amor? Ah, o Tango tem este poder. E é com este álbum que me dei conta que já amei muito. Poucas mulheres. Algumas, maravilhosas. Outras, verdadeiras flores urticárias. Mas todas, me faziam me sentir vivo. E, estou vivo.


Não sei se era esta a intenção Cellista Sueca Srta. Söderberg ao gravar este disco, magistralmente apoiada por sua banda Justango. Um disco instrumental, como quase que por hábito da maioria dos Cellistas, mas que diz muito mais do que quase a totalidade das bandas de rock de hoje. Ao abrir o encarte do Álbum – e estou desesperado para achar os outros dois – nota-se que tudo, salvo pequenos títulos em Inglês; está escrito no mais perfeito Castelhano.


Aos primeiros minutos da gravação, vemos a Srta. Söderberg literalmente falando através de seu Cello, com uma beleza e poder de expressão estonteante. Sim, seu Cello nos diz coisas, possivelmente segredos. Com esta primeira música, “Viviana”, ela já nos mostra o tom apaixonado do Tango com pitadas de Jazz que irá ditar o ritmo ao longo deste trabalho. A suavidade, a maneira como o magistral piano do maestro Juan Esteban Cuacci parece se entrelaçar com o Cello, criando uma atmosfera única e mágica. Orgânica. Viva. “Viviana” é uma música viva. Aliás, o álbum inteiro o é. As vezes, ele “pausa” como se demonstrasse cansaço e pede um tempo para recobrar o fôlego. E, retorna, embalado pelo som do Cello, novamente, forte e sincero, repleto de sentimentos. Matizes. Inúmeras. E novamente, a expressividade.


Não apenas o Piano interage com o Cello. O Acordeon muitas vezes, em um contraponto constante, empresta um charme ao “dialogo”. Aliás, tal diálogo não se sente rogado em apelar e se apoiar apenas à melancolia característica entre o piano e a bateria, em um digno intercurso Jazzístico. E que intercurso! Com certa melancolia, estas partes pode nos remeter facilmente a solidão de uma mesa de bar...


Aliás, a característica do Tango Argentino não é uma certa melancolia?


Pois é. Mesmo durante as partes ditas mais “agitadas” deste álbum, a tal melancolia está ali, sempre presente. Não se escapa dela. É impressionante.


Por algum motivo, a “Viviana” – agora não mais a primeira música apenas – está ali, ao longo deste álbum, personificada em uma mulher linda, solitária, talvez loira de olhos ternos; a pensar na vida... Este album, definitivamente é a alma de uma mulher latina. Mas não, a “vulgar”. E sim, a mulher charmosa. Misteriosa. A que seduz. Mas sabe que, continuará sozinha... E, coitado de quem pensar que não.


O álbum corre. Seu final como de se esperar, é uma despedida melancólica apesar de extraordinário. E porquê não, já esperado?


O Cello se esvai em uma nota eterna, enquanto o piano “diz” as suas últimas notas...

Bom, o que posso dizer além de que, a Srta. Söderberg conseguiu nos brindar com um algo recheado de um charme ao mesmo tempo que, descaso excelente?


Vou dormir com ares de melancolia...


Impressionante... E a F.D.P. é linda, ainda por cima...


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